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Friday, February 17, 2012
PORTUGAL EXCÊNTRICO OU “FOLLOW PORTUGAL’S LEADING STYLE” Distribuição: como distribuir recursos, formalizar clusters e integrar estatísticas da exportação?
Humberto Ferreira
Vou onrinuar a escrever sobre a série temática “
Contributos da Distribuição para uma História do Turismo em Portugal”. A actualidade a isso me impele, pois
a cada dia o país fica mais submerso em buracos e contradições. Soube hoje que
o custo da ‘privatização´ do BPN atinge 5,3 mil milhões de euros.
Li que um membro do governo admitiu: “
Andamos a trabalhar para alimentar o Estado”.
Também soube que o Algarve vai ficar sem navios para a Madeira, por causa do desentendimento entre o armador espanhol e o governo regional madeirense (o armador pediu uma baixa nas taxas portuárias mas, devido à crise e ao "resgate" da Madeira,
um dos aumentos de receitas apontado por Lisboa foi exactamente a subida das taxas portuárias.
Mas, valha-nos a sorte,
o presidente da CIP – Confederação Empresarial Portuguesa – depois da recente vitória na Concertação Social, deixou de ter desculpas sobre a inflexibilidade da legislação, com as novas normas que baixam o custo dos despedimentos, horas extras, trabalho aos sábados e feriados, deslocalização do local de trabalho, e outros antigos encargos que afectavam o custo do trabalho em Portugal. Mesmo assim ele (antigo sindicalista)
insiste na redução da TSU, num período em que o desemprego atinge o recorde de 14% com 1.200.000 desempregados. Se isto
não é uma postura gremial, como classifica-la? O único desafio positivo veio do Primeiro-Ministro,
ao convidar os cidadãos a apresentar boas ideias para melhorar Portugal.
VAMOS RESPONDER AO DESAFIO DE PASSOS COELHO
Assim,
aqueles dispostos a salvar o Turismo terão de arregaçar mangas e ajudar a salvar primeiro o País. Que está, aliás, a fazer repetidos negócios com a China, tornando-se
o mais desleal concorrente da Europa vigiada por Bruxelas, pois, afinal,
Portugal tem os custos mais baixos do trabalho duro e os mais altos para executivos e gestores públicos.
Para mim não é novidade, pois sempre ouvi dizer que Portugal é um país de contrastes sociais!
MUDANÇA DE RUMO
Mas que estamos a servir de ponta de lança aos objectivos da China na Europa nao há dúvida. A REN, edp e o retalho de roupas e bijuterias já são chineses, agora falta o porto de Sines e outros activos interessantes aos olhos dos liberais chineses.
Assim, face às mudanças indispensáveis do actual modelo de fraco desenvolvimento sócio-económico, a minha prioridade, como comentador da situação de Portugal e da Europa,
passa da organização do cluster do Turismo para a recuperação de Portugal, do Euro e da Europa.
Várias vozes apontam para se mudar o modelo de distribuição instalado. Mas vão ser difíceis de implementar, pois
não dependem apenas de nós mas dos europeus.
CONSELHOS LEAIS
Antes de apresentar um esquema de ideias para melhorar Portugal, vou enumerar alguns conselhos úteis e práticos.
1 – CAPÍTULO 11 – Passos Coelho disse na entrevista ao SOL: “
Nenhum país pode crescer com grande dívida às costas” e “
A ideia de que há oposição entre austeridade e crescimento é ociosa”.
Ora aqui vai a minha contraposição:
Sem financiamento adequado, podem as exportações crescer? E quantas empresas não têm encerrado sem fundos nem crédito para comprar matérias-primas nem para pagar salários e impostos? Os Estaleiros Navais de Viana (da estatal Empordef) está nessa situação caricata, e os operários só receberam na sexta-feira os salários de janeiro. É este o modelo imposto pelo governo? Numa empresa pública?
ALTERNATIVAS NEGADAS PELOS EUROPEUS
Ora os EUA têm uma lei para evitar o encerramento de empresas falidas. É o chamado
acordo entre accionistas, a banca, credores e trabalhadores, passando a empresa a funcionar ao abrigo do Capitulo 11, durante o qual os credores não podem accionar os seus direitos nos tribunais.
Há milhares de empresas que se salvaram da bancarrota assim (
a maioria das companhias aéreas já passou pelo capítulo 11), com acesso adequado a novas linhas de crédito da banca para aplicar segundo o acordo.
Dir-me-ão: esta é uma das diferenças entre a América e a Europa!
Então voto na América! Portanto, enquanto faltam fundos para qualquer país, empresa, ou projecto, avançar,
os credores não devem exigir prioridade na liquidação urgente dos créditos, mas, sim,
apoiar um plano viável de prestações, fornecendo o indispensável crédito, até controlado por um auditor independente credível, para se produzir e vender bens transaccionáveis e serviços que possam subir as receitas e reequilibrar a economia. O que se aplica a qualquer empresa, pode aplicar-se, também, aos países sob assistência financeira do FMI, BCE e UNião Europeia. A troika insiste na austeridade e em repetir o lamentável caso da Grécia.
Logo, não voto na troika.
2 – AFOGAR-SE JUNTO À PRAIA – O PM diz: “
Pobres já somos mas alguns ainda não perceberam” e “
Temos que passar de um registo consumista para um de poupança e investimento”.
Pergunto: pode um povo pasar a alimentar-se mal e pode um país assistir à falência diária de dezenas de empresas e ao despedimento de milhares de trabalhadores, durante três anos seguidos? Enquanto a minoritária população activa se sacrifica mais para adiantar o pagamento da dívida? Será que somos os novos escravos europeus de colarinho branco?
3 – EUROPA QUO VADIS – Apoiar empresas em dificuldades, evitando despedimentos e segurando a economia,
é uma norma elementar, lamentavelmente esquecida pelos actuais responsáveis da troika e da maioria dos dirigentes da “União” do Desemprego Europeu.
Chegados à beira da rotura,
face ao fracasso de um fraco naipe de líderes europeus e mundiais, resta-nos o dever urgente da sociedade civil sensibilizar e tentar mudar o existente modelo sócio-económico.
A Europa fica insustentável com cerca de 40 milhões de desempregados. Portugal entre subsidiados e desempregados de longa duração e outros à procura do primeiro emprego,
caminha para os 1.200000. Um recorde vergonhoso!A grande prioridade do Governo, do empresariado, dos sindicatos e dos portugueses em geral, é pois
criar emprego e dinamizar as exportações.
O que só pode ser conseguido com o crescimento de cada sector ou cada empresa. E com um
PLANO INTEGRADO DA ECONOMIA EUROPEIA e de outro enquadrado neste, capaz de fomentar o
DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA NACIONAL. Os espanhóis chamam-lhe PLANO INTEGRADO DE DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA NACIONAL. Sem uma economia adjacente pujante,
não há turismo nem indústria que resista!NOVO MODELO DE SOCIEDADE
Há que mudar, assim, o modelo de distribuição da riqueza produzida, dos recursos disponíveis, e do know-how adquirido, nas universidades e na prática profissional, mas mal aplicado nas últimas décadas, face ao fracasso do modelo internacional da austeridade imposto desde os anos 70. Impõe-se aprovar e implementar outro mais eficaz e não especulativo.
O que a Europa, e quiçá o mundo, precisam é de uma Agência para a Recuperação Equilibrada do Trabalho, Investimento, Produtividade e Distribuição de Recursos, Meios e Proveitos. Uma SOCIEDADE PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL AVANÇADO.
PAPEL DO TURISMO – Em vez de cada país ter um embaixador na ONU, seria a ONU a deslocar um consultor especializado para apoiar cada governo assistido, a superar a sua crise específica. Aliás, Portugal aparenta estar satisfeitíssimo com o intercâmbio gerado com a troika. Diz Passos Coelho: A troika tem apresentado o exemplo de Portugal nos seus contactos com o exterior e isso +e muito importante porque nos separa da Grécia. Contraponho: só não consegue influenciar as agências de rating!
Perguntam-me: e o que tem o Turismo a ver com essa reorganização utópica?
Tem tudo. O Turismo é a única actividade (a caminho dos mil milhões de turistas em 2012 e de 1.800 milhões em 2030), que pode servir de charneira a esta ciclópica tarefa de reequilibrar o excessivo endividamento global dos governos, empresas, e famílias. O Turismo é o sector que tem mais experiência internacional e de intercâmbio de relações comerciais. É o ramo que promove mais feiras, congressos, encontros, e inovação operacional. E o que apresenta mais pesquiza em novos destinos, programas e soluções. Admito que nas últimas décadas não conseguiu gerar quem se tenha sobreposto no exterior, tanto nos organismos e associações internacionais como na gestão empresarial.
PROPOSTA PARA MUDAR PORTUGAL – Vou, entretanto, enumerar uma receita caseira.
A - APOIAR A NATALIDADE – A primeira questão que um chefe de governo deve saber é em que País desejam, afinal, os cidadãos viver e criar os seus descendentes?
Creio que a baixa taxa de natalidade nas últimas décadas em Portugal,é um sinal evidente das erradas políticas aplicadas pelos sucessivos governos. O Japão, por exemplo, com uma população de 126 milhões, preocupa-se com as previsões da quebra de 33% da população até 2060. Os 81,7 milhões de japoneses do grupo etário dos 15 aos 64 anos devem baixar para 44,1 milhões, constituindo 50,9% da população total, enquanto o grupo etário dos seniores (com mais de 65 anos) sobem de 23% para 39,9%. Tóquio avisa que o país será insustentável nestes moldes e que vai tomar medidas adequadas. Em Portugal o desequilíbrio já é maior, mas em Lisboa, não ouvi nem li qualquer proposta oficial para inverter a situação. Portanto, é preciso um PROGRAMA DE APOIO ao Crescimento Sustentável da TAXA DE NATALIDADE.
B – ESTRATÉGIA NOVA PARA O DESENVOLVIMENTO – Sei que os portugueses estão fartos de pagar Planos, Estudos, Programas e Medidas falhadas pelos diversos governos e autarquias. Mas desenvolver um país sem um consensual PLANO ESTRATÉGICO DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL, é uma missão impossível. Por isso, recomendo, com urgência, a encomenda de um amplo plano com este objectivo nacional mas enquadrado numa Europa do Emprego e Unida.
Um país com boas perspectivas de crescimento e rendimentos sustentáveis? Ou um país sujeito à instável vontade dos mercados financeiros e seus agentes (agiotas globais que ganham fortunas à custa dos juros especulativos)?
B – EIXOS ESTRATÉGICOS – Em segundo lugar, importa elaborar, aprovar e implementar um PLANO DE PRIORIDADES ESTRATÉGICAS consensuais, que atravesse o espectro partidário, social, económico e laboral. Mais do que um Programa de Governo, deve ser um PROGRAMA NACIONAL, que abranja a sociedade civil, e não focado nos interesses dos novos “grémios”, excessivas federações e confederações. Todos devem participar. As sociedades científicas e tecnológicas, as universidades e os melhores génios e “campeões” nas seguintes vertentes:
1 - APOIAR O EMPREGO – Se a Segurança Social foi incapaz de dinamizar os centros de emprego, entregue-os à gestão a especialistas de colocação de pessoal – “agências de casting”. Em Espanha sabe-se, por exemplo, que devido á crise, as agências de viagens reduziram 7600 postos de trabalho entre 2008 e 2011. Não foram apenas mais 7600 desempregados mas 7600 postos de trabalho e de vendas perdidos. Outra ideia importante é actualizar e dinamizar as estatísticas em todas as vertentes. São tardias e não correspondem ás exigências dos novos gestores nem dos académicos, políticos e jornalistas.
2 - POLITICA SALARIAL MAIS JUSTA – Sem a qual a produtividade e a competitividade não sobem. Portugal não pode continuar a ter os salários mais baixos da União. As exportações lusas só crescem pela qualidade e design. Não pelo baixo custo do trabalho pouco produtivo e especializado;
3 - POLITICA FISCAL MAIS JUSTA – Acabar com os escalões de rendimentos no IRS, e aplicar uma taxa média equilibrada, para evitar a empresas e independentes suspender a facturação ao aproximarem-se do escalão seguinte. O governo calculou quanto perde com este sistema? Quem tudo quer…! Sabe-se agora que o Fisco tem vigiado o movimento dos cartões de crédito em restaurantes, lojas, e hotéis. Custa-me a acreditar que num país, com uma Comissão de Protecção de Dados tão vigilante para defender a privacidade dos cidadãos e dos suspeitos de assaltos em locais públicos, permita agora esta intromissão fiscal sobre o que cada cartão de crédito movimenta em tipos específicos de terminais? Por isso é preciso saber em que País querem os portugueses viver? Sob uma ditadura fiscal, não!
4 – EXPORTAR MAIS E MELHOR – Proponho que se acabe com este conceito vago, substituindo-o pelas seguintes acções directas:
4 A – CONSOLIDAR clusters, empresas, autarquias e a academia, em máxima sintonia possível, com o Governo, Banca, Sindicatos, e Redes de Distribuição Interna e Externas a apoiar e não para complicar;
4 B – BAIXAR custos de produção das empresas que alcancem as metas médias fixadas anualmente pelos respectivos clusters (beneficiando de descontos nos custos da energia, combustíveis, impostos, taxas e outros encargos administrativos). O custo do trabalho é importante, até para dinamizar o consumo interno e a qualidade de vida da população. Mas não há milagres!
4 C – INVENTARIAR, analisar, monitorizar e APOIAR, legislativa e publicamente, os clusters com maior potencial, pelos respectivos nomes (por exemplo): Mar; Turismo; Transportes e Logística; Calçado; Vestuário (moda, pronto a vestir, têxteis, confecção, marcas, etc.), Vinhos e Bebidas; Gastronomia, conservas, alimentos e sobremesas congelados; Obras Públicas e Civis em países estrangeiros (em Portugal só quando esta crise for paga!); Tecnologia; Ciência; Agricultura (pecuária, horticultura, floricultura, transformação, e marcas), Floresta, Cortiça, Madeiras e Pasta de Papel, Indústria Ligeira e Pesada; Aeronáutica; Construção Naval; Automóveis; Pedras Ornamentais; Joalharia; Cultura, Desporto, etc.
Não esquecendo ainda os sectores exportadores previstos na Nomenclatura Combinada do INE (que peca por desactualização): Máquinas e Aparelhos; Veículos (acima: cluster automóvel); Combustíveis; Químicos; Plásticos e Borracha; Metais Comuns; Minerais e Minérios; Produtos Alimentares (acima: cluster gastronomia, conservas e congelados); Óptica e Precisão; Peles e Couros.
O novo Fundo de Fomento da Exportação (creio que o legado passou para a tímida AICEP) deve promover um CONCURSO ANUAL INTERNO para apurar os maiores e mais consistentes exportadores em cada uma das fileiras (enumerei acima um total de 22 a que acrescentei mais oito retirados da Nomenclatura Combinada por categoria de produto agregada. No total, temos aqui 30 trunfos em clusters com vasta experiência mas com organizações distribuídas em compartimentos estanques. E há mais! Sendo bom relembrar que a união faz a força!
4 D – GARANTIR O ACESSO AO CRÉDITO indispensável às exportações – Sem bancos e apoios semelhantes aos praticados, por exemplo, nos Emirados Árabes Unidos, Irlanda e Holanda, entre outros, um País pequeno e descapitalizado, como Portugal, não terá grande hipótese de avançar e superar a crise. Menos ainda se continuar focado na AUSTERIDADE (aliás, tanto o FMI como a Cimeira da União Europeia em 30/31 de janeiro, já admitiram isso ao mundo). Também não vale insistir na falhada tónica de que o endividamento público e privado é positivo mas tudo o que é público é fixe, enquanto tudo que é privado é duvidoso;
5 – PROMOVER A IMAGEM DE PORTUGAL - Melhor e com mais profissionalismo, lembrando que PORTUGAL não é uma marca, mas uma boa referência, boa opção, ou boa aposta. Promover mais os nossos PRODUTOS, BENS, SERVIÇOS e, especialmente, MARCAS mais representativas no exterior. Como, por exemplo, o Mateus Rosé, a Vista Alegre, a TAP, a Agência Abreu, os papéis Renova, canoas Nelo, pranchas de surf, etc.
Lembro que é imperioso LANÇAR MARCAS COM NOMES PORTUGUESES MAIS ACESSÍVEIS AOS ESTRANGEIROS. Há casos de sucesso como “RENOVA tissues”, mas são raros. Os clientes precisam de decorar com facilidade e associar as marcas portuguesas e qualquer dos clusters de qualidade acima referidos, no ponto 4 C. Para vender mais no mercado interno, também ajuda os portugueses saberem o que os estrangeiros mais apreciam da produção nacional. O povo deve ser mais mobilizado para apoiar as exportações e o Turismo.
6 – DISTRIBUIÇÃO DAS EXPORTAÇÕES – Creio que nesta fase, o BALCÃO ÚNICO DAS EXPORTAÇÕES poderia ser formalizado sob uma entidade público-privada, por exemplo, sob um rótulo sugestivo. Por exemplo ESTILO PORTUGAL, PORTUGUESE STYLE! Your help desk online! Ou FOLLOW PORTUGAL’S LEADING STYLE!
ATENÇÃO: no título, Portugal Excêntrico é outra forma de criticar Portugal periférico.
E a nova AICEP (como referido acima) deve promover anualmente CONCURSOS INTERNOS para apurar os maiores e mais consistentes exportadores em cada um dos 30 clusters. Além do valor das vendas, ou dos preços mais convenientes dos produtos, o que as empresas e consumidores mais apreciam são os prémios relacionados com marcas, empresas e especialidades regionais ou locais. Na distribuição dos prémios seriam convidados os melhores importadores estrangeiros, com visitas guiadas, no roteiro das exportações (a criar) para se interessarem, potencialmente, por outros produtos.
Nas feiras internacionais, a nova AICEP (aliada às propostas parcerias privadas) deve distinguir os produtos portugueses importados em maior volume em cada mercado, e as respectivas importadoras, distribuidoras gerais e retalhistas. Queira o leitor notar que estou a referir-me ao conjunto das exportações portuguesas e não apenas ao Turismo. Este sector é o que, de facto, se enquadra bem em qualquer feira temática internacional, e nas feiras de Turismo até merece a “companhia” de vinhos e bebidas, gastronomia, moda e calçado, equipamentos desportivos e de viagem; joalharia, cultura, desporto, etc.
Por fim, as CAMPANHAS DE PROMOÇÃO DAS NOSSAS EXPORTAÇÕES, em cada mercado potencial e específico, devem ser organizadas em moldes diferentes e a médio prazo. Seleccionando, por exemplo, 12 clusters complementares por ano, e focar um diferente em cada mês e cada mercado. Se tivermos 12 mercados e 12 clusters, teremos um total de 144 temas, spots, ou cartazes diferentes num ano. Podendo sempre associar-se cada produto a cada região de origem ou de fabrico, numa articulação útil entre o fabrico e o turismo.
EUROENEWS – Hoje, a promoção externa faz-se através de múltiplos meios e ideias (aliás, tal como a interna). Mas um país ou um produto ausentes dos canais internacionais da TV e da internet são votados ao esquecimento. Sucede que a Euronews atravessa dificuldades – a comprovar que afinal os 27 Estados não estão muito interessados em aderir ao conceito da Europa Unida, mas apenas em retirar o melhor proveito possível dos ”eurofundos”, à custa do reforço do espírito nacionalista de cada povo. Por vezes, basta que um pequeno país, como Portugal, aproveite melhor as vantagens disponíveis da Europa Unida. A RTP poderia negociar com a Euronews, por exemplo, a continuidade do programa em português contra a emissão de programas semanais sobre as exportações e o Turismo de Portugal. Seria um bom negócio para ambas as partes. E Portugal marcaria, assim, presença assídua entre os telespectadores da Euronews, a um custo que já faz parte da divulgação mundial da língua portuguesa.
7 – RECICLAGEM DE TRABALHADORES - Resolvida a abertura da via para o aumento das exportações, sob o rótulo ESTILO PORTUGAL, temos o problema do DESEMPREGO parcialmente resolvido. Mas é preciso investir mais na formação permanente dos activos de forma a aproveitar os talentos mais abertos à ADAPTAÇÃO aos novos métodos de PRODUTIVIDADE E COMPETITIVIDADE – afinal são estes os maiores trunfos dos portugueses que se destacam no exterior! Mas o crescimento do EMPREGO depende essencialmente do aumento da procura interna e externa, da disponibilidade do crédito bancário, e do crescimento articulado dos sectores público, autárquico, privado e misto. Não há milagres!
8 – TALENTO – Entre os melhores recursos portugueses (naturais, económicos, culturais e científicos), escolho os nossos talentos individuais e colectivos, nas mais variadas actividades laborais, intelectuais, desportivas e comunicativas. Mas lamento ter assistido nas últimas cinco décadas ao desperdício de muitos talentos, que tiveram que emigrar para ser reconhecidos. A Pátria não os contemplou, apressada como tem estado a idolatrar políticos e futebolistas. Há responsáveis de departamentos públicos que actuam como se receassem a concorrência de jovens que lhes apresentam sugestões e soluções. Assim, continua-se a viver, mesmo depois do 25/4, sob o NEPOTISMO. Foi preciso Passos Coelho vir com esta excelente ideia de pedir ideias aos portugueses, aliás sem descriminar idades. É de facto preciso que sejam criadas mais oportunidades aos jovens com talento. Mas este concurso ou passatempo é um bom prenúncio para se criar e respeitar uma BOLSA DE TALENTOS LUSOS, a cargo de uma entidade privada.
CONTINUA: Distribuição V: Aproveitar marcas, Natureza e âncoras para diferenciar Férias com Estilo, em Portugal
Friday, February 10, 2012
Distribuição V – Atrair turistas renovando o calendário turístico
Top5 da HotelTravel.com do Carnaval no mundo em 2012Fonte:
Publituris.pt - 2012 fev 10 -
por
Humberto FerreiraA organização dos festejos de Carnaval, em cada cidade ou zona conhecida como
destino de Carnaval, começa, normalmente, quando acabam as festas do ano corrente, e ainda durante a comemoração dos eventuais prémios conquistados, ou na ressaca das derrotas sofridas pelos grupos de dirigentes, autarcas e voluntários envolvidos, mas que não satisfizeram o júri.
Tratam logo de eleger, ou nomear, os responsáveis para o Carnaval do ano seguinte e da angariação dos indispensáveis fundos e apoios.
Segue-se a fase da criação e concepção/confecção dos temas, músicas, letras, guarda-roupa, carros alegóricos, decoração complementar, e artistas voluntários responsáveis por cada naipe de tarefas. Depois, há a fase da aprovação dos projectos e maquetas e da escolha dos ajudantes para cada sector (carpinteiros, escultores, costureiras, pintores, etc.). Em seguida começa a fase do plano e orçamento para a promoção, DISTRIBUIÇÃO e reservas, pelos canais adequados. No Outono já deve estar tudo reservado ou vendido, para se obter cash-flow até Fevereiro. É, afinal, um puro exercício de economia operacional, esquecido por alguns políticos que se mudaram para outra galáxia.
A HotelTravel acaba de divulgar os cinco destinos de Carnaval 2012 mais procurados:
1 – NOVA ORLEANS com o Mardi-Gras de tradição crioula franco-africana-americana;
2 – TRINIDAD e TOBAGO – país das Caraíbas de tradição mista. Foi Cristovão Colombo que chegou às ilhas em 1498, depois seguiram-se colonizadores holandeses e ingleses, assim como emigrantes portugueses. A independência chegou em 1962. Com menos de 2 milhões de habitantes é o país caribenho com a segunda maior população de língua inglesa, depois da Jamaica;
3 – RIO DE JANEIRO – imagine só o maior espectáculo do mundo em terceiro lugar!;
4 – SYDNEY com o maior Carnaval para as comunidades homossexuais (na moda?);
5 – GOA, o maior Carnaval na Ásia (?) de secular tradição portuguesa.
A HotelTravel.com fixou-se mais nos gostos dos norte-americanos e nas viagens de longo curso, mas esqueceu-se inteiramente da
tradição do Carnaval europeu. E esqueceu-se sobretudo de que os grandes “consumidores” do Carnaval são europeus e africanos.
PREFERÊNCIAS EUROPEIAS
É bem diferente a minha selecção para as melhores e maiores festas mundiais do Carnaval:
1 – RIO DE JANEIRO e, de maneira geral todo o Brasil, apesar deste ano a situação em Salvador de Bahia ter estragado as festas naquele Estado. Mas não faltam festas em Recife e Olinda, no Estado de Pernambuco (talvez as mais autênticas), assim como em outros estados brasileiros;
2 – VENEZA – o Carnaval mais sofisticado do Mundo, que atrai sempre grande número de norte-americanos e europeus de classe. A TAP tem uma promoção especial para Veneza;
3 – RIVIERA FRANCESA em NICE, MENTON E CANNES, cujos desfiles e salões são também muito frequentados por norte-americanos;
4 – LONDRES com o Carnaval de NOTTING HILL e a garantia de Londres agregar as mais diversificadas comunidades, talvez do mundo inteiro, desde os expatriados caribenhos de língua inglesa aos múltiplos europeus que vivem no Reino Unido, mais os diferentes grupos que valorizam a cultura contemporânea da capital britânica;
5 – DUSSELDORF e COLÓNIA, duas cidades alemãs com tradição carnavalesca, as quais atraem milhares de europeus de língua alemã, apesar de na Baviera, Boémia, Áustria e Suíça não faltarem festas de carnaval.
PORTUGAL ALEGRE
Os quatro destinos europeus desta selecção não têm concorrência, quando comparado o seu potencial com o português. Mas até esse grande desafio de competir com as festas internacionais de Carnaval mais conhecidas só tem feito bem aos dirigentes, empresários, autarcas e voluntários portugueses empenhados na valorização do Turismo e da animação no nosso país.
O Carnaval português fica, assim, este ano fora do meu Top5.
A justificação é triste: o nosso governo decidiu dificultar o acesso dos trabalhadores às habituais festas e desfiles, já organizadas pelo país de Norte a Sul, por ter divulgado a “intolerância” de ponto só em Fevereiro, quando toda a despesa estava comprometida. Essas tradicionais iniciativas falhadas nos orçamentos, contribuem, agora, para alargar os buracos financeiros existentes na maioria das autarquias e empresas. Mais um gravoso erro na gestão dos dinheiros públicos, talvez com receio da próxima visita da troika.
E ficam, assim, de fora deste ranking, as festas populares, entre outras, em Ovar, Serra da Estrela, Figueira da Foz, Bairrada, Torres Vedras (o Carnaval mais típico, não importado do Brasil), Sesimbra e toda a margem sul do Tejo, Sines, Loulé e todo o Algarve, sem esquecer a Madeira e Açores. Mais uma vez o Governo castiga o Povo e impede os promotores municipais e as pequenas e médias empresas de ganhar uns "cobres" para reduzir os prejuízos acumulados desde que a crise nos atingiu em 2008.
Regista-se, porém, com agrado que todos os autarcas destas zonas desobedeceram ao Primeiro-Ministro. Espero que ele leia este texto e se informe, finalmente, da importância do Carnaval nos calendários turísticos das maiores potências mundiais do Turismo (em Espanha também há centenas de localidades com festas de Carnaval, com tolerância das autoridades). Mas lamento que a tradição em Portugal vai ser banida até nova ordem. Depois, uma grande parte dos portugueses activos ou está desempregada ou tem que deixar de ser "piegas" e trabalhar com mais alegria e vontade por 485 euros mensais, menos os descontos, o aumento nos transportes e nas taxas moderadoras.
Vamos ver quem vai conseguir, assim, brincar este ano ao Carnaval?
O pessoal do Turismo até costuma trabalhar durante o Carnaval, por isso está habituado. E tem a BTL a abrir no dia 29 de Fevereiro, com a Festa do Publituris-BTL para a entrega dos "Portugal Trade Awards 2012", em 16 categorias. Para incentivar quem mais se distinguiu no sector em 2011. Actividade eminentemente exportadora que ainda não está incluída na NC = Nomenclatura Combinada dos nossos produtos agregados mais exportáveis. Bemdita a organização governamental que temos!
Labels: Turismo e Carnaval
Tuesday, December 20, 2011
Portugal tem emenda? Sim. Se a maioria quiser!Humberto Ferreira
Novo ano, novos planos e votos. Vamos ter que mudar de vida mais uma vez. Vamos unir-nos e trabalhar mais para reconstruir um País mais justo e produtivo, sem depender tanto de cada governo nem da subsídiomania. Vamos apurar mais o nosso saber colectivo e pessoal, ao serviço do ramo em que temos mais experiência. Vamos concentrar-nos nas âncoras em que Portugal tem potencial para obter maiores êxitos externos. Vamos afastar as rivalidades regionais e ser mais abertos à mudança estratégica que se impõe realizar em cada actividade, projectando com viabilidade a nossa capacidade técnica, económica, cultural ou científica. Vamos acompanhar de perto e contribuir para a evolução europeia e mundial. Vamos trabalhar melhor em equipa para o bem colectivo e aconselhar o governo e as instituições públicas e privadas, a produzir melhor informação e comunicação, apontando alternativas e não apenas vias falhadas mas preconcebidas para beneficiar os habituais lóbis instalados.
DIREITO Á INFORMAÇÃO CORRECTA – A democracia exige que se proporcione a cada grupo a melhor opção, mas que a proposta maioritária vencedora em cada acto eleitoral exerça o poder com imparcialidade. O fortalecimento do tecido produtivo, por sua vez, exige que os sectores vitais disponham de dados periódicos bem ordenados e rigorosos, que permitam avaliar, por exemplo, a tendência das exportações e importações, para se poder analisar os saldos de cada fileira activa a actuar da melhor maneira.
Em resumo, importa apetrechar a gestão com mais dados úteis e práticos, em vez de se lançaram tantos palpites avulsos na comunicação socia. E importa, sobretudo, travar ou neutralizar as intervenções negativas (ou menos felizes) dos líderes partidários, que continuam a disparar aos alvos errados (os seus preferidos), como o actual governo, que só transmite austeridade, cortes, despedimentos (na função pública) e avisos de novos sacrifícios em 2012. Esquecendo a reorganização, racionalização, promoção e crescimento.
Abracei a carreira de jornalista profissional em Maio de 1975, num período também muito difícil, mas o primeiro dinheiro que ganhei foi em libras esterlinas, a escrever para o Glasgow Herald em 1953, sobre a marinha mercante portuguesa.
Ouso, assim, dar mais um conselho a este governo, empossado há seis meses: a solução da crise não passa mais pela austeridade, nem pela subida dos impostos, cortes nos proveitos das empresas e dos trabalhadores, nem por constantes provocações e desconfiança sobre o futuro. Passa, sim, por planos concretos e urgentes para cada um dos sectores prioritários a apoiar e desenvolver. E, por outras palavras, por uma postura de comunicação correcta e à prova de mal entendidos.
EXEMPLO ESPANHOL – O novo presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, já anunciou o esquema racional das prioridades do seu programa:
1 - cortar 15,5 mil milhões de euros nas despesas do sector público;
2 - apresentar a Lei da Estabilidade Orçamental, visando a redução da dívida pública para 60% do PIB até 2020);
3 - congelar contratações na função pública (não irá contratar quadros para os novos gabinetes? A administração pública terá quadros da confiança de ambos os partidos?);
4 - alterar todos os feriados para segundas e sextas-feiras (com excepção do Natal e Ano Novo),evitando “pontes” mas garantindo o funcionamento normal do calendário do Turismo Interno;
5 - cobrar IVA após a liquidação das facturas às empresas (para apoiar as PME e abreviar, assim, os prazos de pagamento aos privados);
6 - manter o nível tributário vigente (sem aumentos);
7 - e implementar com urgência
o Plano Integrado de Desenvolvimento Turístico.
Aparentemente, os partidos em Espanha fazem melhor o seu TPC, atacando as prioridades dos sectores que criam mais empregos.
ESCLARECER CONSUMIDORES – Enquanto cá se prevê o agravamento da evasão fiscal com o aumento do IVA, em Janeiro, e a descida do consumo devida ao aumento dos preços e aos cortes salariais, a Espanha tem uma visão de expansão e de justiça.
Muitas empresas lusas já não pagaram o subsídio de férias em Agosto nem podem agora pagar o 14º mês. Portanto, não foi só a função pública atingida (falta saber como o governo vai cobrar metade de um subsídio não recebido? Daí a minha referência acima à justiça!).
Por outro lado,
convém mandar afixar, em cada local de venda, bem destacado, o novo valor do IVA a partir de 2012, aplicável aos respectivos produtos e serviços. Os consumidores têm o direito de ficar a saber que
o Estado arrecada mais 23% em cada transacção do escalão mais alto, o que se reflecte na subida inevitável do preço de venda ao público e do custo de vida.
Aliás, o nível do custo da vida familiar vai subir, quer pela cotação externa e interna da maioria dos serviços, bens, e produtos, quer pelo colossal aumento do IVA. As subidas variam de 6% para 13% e de 13% para 23% no IVA, mais em diversas percentagens, quanto ao aumento sucessivo dos custos de produção (energia, matérias-primas, transportes e impostos).
Não há volta a dar.
O consumidor e o contribuinte pagam mais, mas o Estado arrecada menos receita. É linear para todos, menos para a troika e para o governo.
Compete por isso
aos empresários esclarecer os clientes que o Estado é repetente. Não se contentando com a subida no IRS, IRC, IMI, IPP e outros impostos,
penaliza mais a economia com a excessiva subida de 7% e 10% no IVA, provocando mau estar social nas empresas e nas famílias, e comprometendo o futuro de todas as gerações, sob a desculpa dos erros cometidos nas últimas três décadas e por três intervenções pesadas do FMI.
TURISMO CASTIGADO – Todos os sectores foram castigados pelas medidas de austeridade da troika, aprofundadas por este governo, mas o Turismo foi o maior mártir.
Com
transportes reduzidos e mais caros (os cortes previstos no Plano Estratégico de Transportes representam um recuo de 20 anos e abrangem a CP, as rodoviárias municipais e privadas e as ligações fluviais, assim como os voos de cabotagem para os Açores e Madeira).
Com
refeições mais caras e incompatíveis com os preços praticados na restauração espanhola.
Com animação mais cara e de menor qualidade, pela asfixia das câmaras.
Com menos promoção a nível externo, regional e local, idem.
Com taxas portuárias e de segurança mais altas.
E
sem um Plano Integrado de Desenvolvimento do Turismo, como Rajoy prometeu em Madrid.
CONCLUSÃO – O anuário “
XXI Ter Opinião 2012”, editado pela
Fundação Francisco Manuel dos Santos, é leitura indispensável para quem se interessa pelo futuro de Portugal.
O tema desta primeira edição é:
Portugal tem emenda? Respondo convicto; Tem ainda uma pequena folga. Mas desde que
a maioria da população saiba e queira remar avante num rumo certo. Mesmo que indignando-se, abertamente, contra as medidas erradas, seja de que governo for! O que importa acima de tudo à sociedade civil é propor alternativas, como acima!
Labels: Austeridade sim. Mas com Expansão planeada
Tuesday, July 19, 2011
Mais empreendedorismo e muito trabalho …Humberto Ferreira
(Publicado no PUBLITURIS em 8 Julho 2011, na coluna TURICÓPIO)
Para se sair da crise, só com mais empreendedorismo, trabalho, organização, mobilização e poupança colectiva.
Afinal,
o brinde do Turismo saiu ao CDS, apesar do PSD ter o programa mais equilibrado nesta área.
E a pasta da Administração Interna, ponto forte do CDS, foi para o PSD, com o Faroeste no Algarve e outros pólos de aptidão turística.
A moda agora é deitar gás para as “ATM”.
Mas isto vai melhorar com as credenciais da nova equipa. Competência e mérito não lhe faltam. Pois não?
Acabo de ouvir afirmar ao patrão da CTP: o
Estado precisa de ideias e gente fresca! Talvez!
Desde que não suba o salário mínimo para 500 euros…num país de alta qualidade e low-cost.
Aplaudo de pé a escolha do prof. Manuel Pinto de Abreu para secretário de Estado do Mar. O Mar, Turismo e Compras Made em Portugal são três eixos a valorizar.
Todavia, valeu mais a Secretaria de Estado do Turismo a tempo inteiro, depois de se falar que iria ser partilhada com outra.
“Boys & Girls” ganharam assim a aposta certa!
MEMÓRIA – Sem acreditar em superministros, pensei que
os secretários de Estado do ciclo Passos viessem a ser dignificados, como Santana Lopes e Licínio Cunha foram no ciclo Cavaco.
Lembro a fase anterior do Ministério do Comércio e Turismo, e da Secretaria de Estado do Turismo sob o Ministério da Economia, sem esquecer a experiência do 2º Ministério de Turismo em 2004. Instalado em Lisboa, com o secretário de Estado no Algarve, todos os dias a caminho da capital.
Até que, agora, chegou o superministério da Economia, com sete pastas de três anteriores ministérios:
Economia, Inovação e Energia; Emprego; e Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
Vai ser excitante observar uma equipa multidisciplinar dinamizar tantos clusters, sob uma voz experiente, nomeadamente a indústria, comércio, exportações, Turismo, energia, transportes, portos, aeroportos, estradas, inovação e emprego!
O Turismo vai, finalmente, reencontrar a vocação receptiva e
validar a garantia dada aos congressistas da Divisão Internacional da ASTA, reunidos na Gulbenkian, em 1977:
“O Turismo em Portugal é um sector privado, a incentivar a vertente do Turismo receptivo".
Após 34 anos só falta, afinal,
segmentar o turismo receptivo, doméstico, social e emissor. Pouca coisa.
NOVO ESTILO – A Feira do Artesanato de Lisboa foi primeira visita pública de
Álvaro Santos Pereira, titular da “Economia e Companhia”, que mostrou dinamismo e
recomendou aos expositores para identificarem as peças nacionais com bandeiras de Portugal.
A auto-estima faz falta e ajuda a valorizar a nossa imagem colectiva, como Scolari e Marcelo conseguiram no Euro2004, quando as janelas e lojas se coloriram com bandeiras verdes e vermelhas.
O futebol continua a ser o nosso maior orgulho e alimento para a auto-estima, mas os esforços para o estender ao artesanato, outros desportos e artes, são bem-vindos!
CINCO MEDIDAS – Espero que Álvaro queira ler algumas das minhas sugestões:
1º - Inventariar os recursos, produtos, marcas e serviços diferentes e mais genuínos, que
Portugal possa vender melhor. E entre os que estão ao nível da nossa concorrência, quais os que os estrangeiros mais apreciam? Para os integrar na sua nova estratégia alargada!
2º - Criar um conselho informal de gestores dinâmicos, para se maximizar e programar prioridades, e elaborar
uma estratégia consensual para 2012-2014.
Conforme exposto na recente
ExpoEventos, deve-se
apostar em marcas fortes (começando por reduzir as 15 mil de vinhos), visto
a marca branca Portugal não transmitir, há mais de 10 anos, as boas experiências que os turistas podem viver nas férias entre nós.
3º - Com o apoio de operadores externos,
inventariar as vantagens SWOT da oferta receptiva e propor programas articulados com parceiros dinâmicos, servidos por políticas transversais nas redes de aeroportos, portos, viárias e intermodais, e nas regiões plano continentais, mais Madeira e Açores.
4º - Actualizar e divulgar o
Calendário Electrónico de Eventos Sazonais com interesse externo, nas áreas do desporto, património, indústria cultural, arte popular, entretenimento, etc.
5º -
Articular o Turismo com os programas do MOPT e fomentar a sociedade civil a formalizar as constelações dos recursos viáveis, desde a exportação à produção agrícola e tecnológica, ao comércio e Turismo.
PROGRAMA DO GOVERNO – Destaco a aposta no
Turismo Atlântico; a a
rticulação horizontal das políticas de Turismo, transportes, equipamentos públicos, Ambiente, Mar, Saúde, Desporto e Cultura; e o
Código do Turismo (criando e apoiando os municípios turísticos).
Convém que Estado e autarquias não penalizem mais empresas e iniciativas.
Aguarda-se a nova estratégia promocional em vez da “
umbrela Portugal” sem mais-valia agregada.
Se quando se viaja, trazemos brindes para obsequiar familiares e amigos,
como se promove um programa turístico sem se associar o comércio à estratégia promocional? Bens transaccionáveis não faltam! Oxalá não se percam mais apostas de cooperação horizontal!
QUADRO DE HONRA 1º -
PRÉMIO ULYSSES conferido
pela Unesco à Secretaria Regional de Turismo e Transportes da Madeira, no Fórum Algarve, na categoria de
melhor iniciativa de governação pela emissão de certificados às unidades mais amigas do Ambiente.
Os meus Parabéns a Conceição Estudante.
2º -
DIA DA MARINHA DO TEJO – 25 de Junho, incluído nas
Festas de Lisboa, com o Cais das Colunas emoldurado com canoas, catraios e faluas, objecto da reportagem da RTP, com arrais, dirigentes, presidente da CML António Costa, CEMA e prof, Carvalho Rodrigues.
Uma das raras oportunidades para os lisboetas e turistas de passagem se aproximarem da comunidade marítima do Tejo!
3º -
PAISAGEM CULTURAL DO TEJO – As
Associações Tagus Universalis de Portugal e Espanha preparam o processo para a
Rede Cultural do Tejo Ibérico a Património Mundial da Unesco. Será a confirmação da incomparável "aliança" entre os monumentos classificados na zona histórica ribeirinha (Jerónimos e Torre de Belém)e a protegida Reserva do Estuário do Tejo na margem sul, reforçada pela cultura avieira das comunidades piscatórias a montante.
4º -
VELA INTERNACIONAL – As regatas para o
campeonato mundial WMRT em Match Racing, em Portimão de 22 a 26 Junho. A
ISAF e velejadores
optaram pelo Algarve pelo 8º ano seguido. E lembro que,
de 6 a 14 de Agosto, o Clube Naval de Cascais acolhe a 1ª série da ACWS da Taça América 2013 (America's Cup World Series), cuja fase final terá lugar na Baía de San Francisco. Daqui incentivo o Turismo, vela e comunicação social
a apoiar este 1º evento da Taça América em águas nacionais. Como? Comparecendo na Marina de Cascais nos treinos e regatas e divulgando os resultados e os programas sociais.
Labels: esperança renovada no Turismo, Governo novo
Wednesday, June 29, 2011
PROGRAMA DE TURISMO DO XIX GOVERNO CONSTITUCUONALComentado por Humberto Ferreira (2011Jun28)
O estilo deste programa é semelhante aos exercícios de anteriores executivos. Uma série de conceitos vagos, como a repetição de chamadas aos factores de inovação, eficiência, gestão, recursos e regulação. Na prática significam ZERO. Ou pior copiaram os anteriores.
Das sete medidas enunciadas, destaco "
o reforço da articulação das políticas de Turismo com o Ordenamento do Território, Ambiente, Transportes, Saúde, Mar e Cultura".
Mas também não se trata de novidade. São, sim, medidas difíceis de concretizar.
Há, todavia, um sinal positivo:
o Ministério da Economia agora passa a gerir o Ministério dos Transportes, o que pode facilitar uma certa articulação Turismo-Aviação, Portos, Estradas e Ferrovias. De facto, enquanto a Espanha já tem uma das maiores redes de alta velocidade, Portugal continua com a sua bitola ibérica.
Por isso, o Turismo deve pressionar o governo para elaborar um plano de substituição gradual das linhas férreas convencionais, pendulares e de alta velocidade, com especial ênfase nas ligações do porto de Sines a Lisboa e a Espanha.
Pois, a partir de 2014 espera-se que
o porto de Sines seja a plataforma de entrada na Europa de milhares de contentores, por semana, vindos do Oriente, pelo Canal do Panamá! Talvez uma matéria demasiado complexa para os recém-empossados membros do governo.
TURISMO ATLÂNTICO – Destaco também a excelente proposta de criar uma “
plataforma económica e logística para se projectar um mercado alargado que reforce os fluxos de raiz atlântica”.
Ora isto é, nem mais nem menos do que a concretização de
uma antiga aliança atlântica entre Portugal, Brasil, Angola e Cabo Verde, gizada entre ilustres estrategas dos quatro países, mas sempre adiada. Com a anunciada privatização da TAP(imposta pela Troika) poderemos vir a dar o primeiro passo para esta aliança inevitável,
desde que a TAM,a TAAG e a TACV se unam à TAP. Vamos, pois, espero bem, torcer para que se atribua prioridade à formalização desta proposta, com o indispensável de fortes investidores interessados?
DISFUNÇÃO ORGÂNICA ENTRE ENTIDADES DO SECTOR – Já não deposito tanta confiança no apelo “
ao reforço da acção reguladora para uma visão estratégica e articulada entre parceiros públicos e privados”.
Por duas razões:
o conhecido historial negativo das agências reguladoras até à data (alegadamente independentes, mas inegavelmente subordinadas ao governo no poder. Por outro lado,
há a fragilidade da Confederação do Turismo face às associações temáticas de hotelaria, distribuição, programação e animação, assim como às entidades regionais e até locais, pois qualquer iniciativa do Turismo de Lisboa ou do Algarve consegue maior visibilidade mediática do que a CTP.
Sem esquecer
a corrida ao protagonismo do instituto público central, nos primeiros anos da sua polémica existência, invariavelmente afastado do diálogo, como
nos casos do PENT e das leis dos empreendimentos e das agências de viagens. Anteriormente, havia interlocutores especializados em cada área. Hoje concentra-se tudo numa pessoa, pelo que o título
Instituto Central do Turismo assentaria melhor.
A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR – Compete (ou não?) às empresas especializadas dar maior ou menor relevo às modalidades de Turismo Sénior, Étnico, Religioso, de Saúde (incluindo as acessibilidades para turistas deficientes)? Assim como tentar
obter maiores receitas de exploração? Pois são, de facto, os mercados que determinam essa flutuação entre a oferta disponível, a concorrência, e a procura. E não, nem nunca foi,qualquer programa governamental ou campanha de sensibilização que vai moldar cada ano ou época turística.
O que
as empresas precisam é que o Estado e as autarquias não as atrapalhem nem as penalizem com mais impostos ou taxas. Aliás, no Turismo está instituído o facto consumado de que entramos num período prolongado de cortes aos apoios ad-hoc.
CÓDIGO DO TURISMO – Creio que
a melhor ideia deste Programa de Governo é a breve elaboração de um Código do Turismo e das Actividades Turísticas, desde que não seja demasiado intervencionista (como as opções do PS se revelaram sempre).
Já agora que
o novo Código possa definir e proteger, também, os municípios classificados como turísticos, facilitando-lhes a aprovação de projectos que impliquem aprovação central.
PROMOÇÃO INTEGRADA – Por fim, quanto à promoção externa e interna do Turismo, sempre recomendei que fosse
associada aos principais recursos nacionais, mais apetecidos por estrangeiros, nomeadamente: o Desporto, Cultura (erudita e popular), Ciência, Vinhos e Bebidas, Moda e Pronto-a-Vestir, Calçado, Porcelanas e Cristais, Alimentação, Saúde (termalismo e recuperação), Turismo Residencial (imobiliário), Congressos e Feiras, Logística e Transportes, Móveis e Materiais de Construção e Decoração, Compras e Artesanato, Ensino Erasmus e outros programas de formação complementar, etc. No total são 26 áreas com potencial valor para a expansão do made em Portugal pelo mundo
O Turismo é o grande cluster charneira para o melhor "Mix Portugal Holiday Shopping".
CLUSTER DO MAR -
O Turismo, as Compras e o Mar são, à priori, os três grandes eixos disponíveis para a breve recuperação que todos desejamos.
E nesta fase embrionária do novo ciclo de esperança e confiança,
a criação e nomeação da Secretaria do Estado do Mar é talvez aquela que me merece maior confiança, esperança e aplauso. Manuel Pinto de Abreu é um conceituado oceanógrafo, responsável pelo programa de alargamento da plataforma continental subaquática que poderá tornar Portugal num dos países ricos europeus. Bem sei que é um projecto a prazo, mas nem por isso é menos importante!
Mas o programa governamental passa por cima dos problemas dos portos, terminais de cruzeiros e de cargas, assim como da estratégia para acolhermos as novas rotas oceânicas que vão procurar portos portugueses de contentores, de produtos petrolíferos, de cruzeiros e de carga geral.
Nos cruzeiros, que interessam mais directamente ao Turismo, o que mais me satisfaz não é o crescimento positivo das escalas em Lisboa e Funchal (portos tradicionais com movimentos semelhantes aos dos anos 55/75)mas a significativa programação de escalas nos portos de Portimão, Leixões e Ponta Delgada. Oxalá a nova tabela de taxas do SEF não venha estragar a árvore das patacas!
É evidente que as prioridades do governo, associadas ao Turismo, em matéria de política aérea também ficaram aquém da nossa ambição.
MARCAS FORTES – Lembro que em cada ramo é preciso criar
marcas fortes e distintas, integradas em campanhas institucionais e de venda agressiva, de modo a que todos os públicos-alvo identifiquem essas marcas como fizeram (e fazem) ao Mateus Rosé, o vinho português mais conhecido no exterior e menos bebido em Portugal.
Não conheço qualquer marca institucional - United States, Britain, ou España - que se tenha sobreposto a qualquer marca forte privada oriunda dos EUA, Reino Unido ou Espanha entre as que conquistaram projecção global!
O que cada país usa, habitualmente, e um slogan forte para atrair turistas e compradores. Três dos mais bem sucedidos foram: "Sorria, está em España!", "Swiss Made" ou "Incredible India"!
Não sou, pois, adepto do reforço da marca Portugal para promover simultaneamente
Turismo (programas e destinos com 300 possíveis municípios concorrentes entre si) e
produtos e serviços de mais de 25 origens diferentes mas bastante associadas ao Turismo.
Só que não podemos também cair mais no
exagero de tentar vender 15 mil marcas de vinhos lançadas nos mercados. Há que também seleccionar as sete melhores, como as Sete Maravilhas da Natureza e da Gastronomia.
O que têm andado os gestores e promotores do ICEP e da AICEP a fazer estes anos? E o que tem sido feito para aproximar, em parceria, os organismos de coordenação e promoção dos nossos 25 recursos principais de exportação, acima indicados? A tónica tem sido: salve-se quem puder! E, pelos vistos, vai continuar a ser! Quando o novo governo se desinteressa desta aconselhável aproximação de sinergias.
E para a
obtenção de melhor retorno aos investimentos promocionais públicos e privados, deve-se distribuir as acções e peças das diversas campanhas sazonais, pelos mais acessíveis, ou seja: Internet, TV, Outdoors e Imprensa Especializada – esta para atrair os grupos profissionais e temáticos específicos de cada ramo.
PERGUNTA FINAL – Quando se viaja para o exterior, habitualmente,
o que fazemos para brindar amigos e familiares? Compramos lembranças úteis, identificativas do destino, ou curiosidades.
Como é então possível elaborar um programa de desenvolvimento turístico sem associar o Turismo ao comércio local?Começa mal este novo ciclo de esperança. confiança e recuperação das marcas e produtos portugueses mais apetecidos no exterior! Incluindo o Turismo!
Labels: Programa de Turismo no Governo 2011-2015
Sunday, June 26, 2011
Veneza recua na taxa sobre dormidasHumberto Ferreira (Notícia de 2011Jun23)
A anunciada aplicação de
uma taxa de um euro por estrela, por pessoa, por noite, na zona turística de Veneza, a partir de Julho, fo
i adiada face aos crescentes protestos populares e associativos por parte dos ramos ligados ao turismo e comércio da região autónoma do Veneto e por parte dos operadores internacionais, em especial do ETOA - Associação Europeia de Operadores Turísticos (agências organizadoras em Portugal pós-Sócrates!).
O autarca Orsini, dinamizador desta medida para obter fundos destinados a obras de manutenção e para modernizar e proteger a cidade contra as habituais inundações e outros factores negativos, provocados pelo difícil equilíbrio e mobilidade numa extensa zona do delta do rio Pó, recheado de ilhas e de canais urbanos que atravessam Veneza e se estendam a Mestre, Lido, Jesolo, Marghera e outras localidades, constatou como tinha desagradado à maioria da população que vive do turismo, comércio, eventos e cultura.
A proposta de Orsini, à primeira vista, parece simples e até nem demasiado dispendiosa. E Veneza não tem rival em termos do seu património artístico e da sua morfologia física e ambiental, mas as forças vivas da região não ficaram satisfeitas nem inteiramente esclarecidas. Por exemplo, sobre qual seria o valor mais baixo da taxa a aplicar nas cidades adjacentes de Mestre, Lido, Jesolo, e nas dezenas de ilhas, além das mais conhecidas de Murano e Burano. Ou qual seria a taxa mais baixa a aplicar na época baixa.
Tudo porque Veneza vive essencialmente do movimento gerado pelo turismo e
todas as medidas políticas que possam afastar turistas dos seus mais de 300 hotéis, milhares de restaurantes, lojas, ateliers e empresas de serviços complementares, não é bem recebido. Nem se sabe se a taxa é para aplicar todo o ano, ou se destina mais a afastar os turistas com menos posses da afluência de Julho e Agosto.
Mas o presidente do município continua determinado a convencer os opositores e
adiou a entrada em vigor da polémica taxa sobre dormidas de turistas para 23 de Agosto. Entretanto, continua a convocar reuniões com as partes, na expectativa de as convencer durante Julho. Mas
teimar em aplicar uma nova taxa a partir de 23 de Agosto, em plena época alta, revela que a política e a actividade empresarial andam de costas voltadas na Região Veneto. Oxalá, o mundo não fique entretanto privado dos eventos que marcam, em Veneza, a vida cultura europeia todos os anos, tais como
o Carnaval, os Festivais de Cinema e Jazz, a Bienal de Veneza, as exposições temáticas dos mestres da pintura italiana, os concertos e os congressos de cultura que a cidade acolhe. Aliás,
a programação cultural de Veneza é um dos grandes trunfos do Turismo Italiano, objectivo que não pode ser desviado por causa de uma taxa de um euro por dormida, por pessoa. E se for num dos grandes hotéis de cinco estrelas, um casal pagará mais 10 euros por noite.
Labels: FEBRE EUROPEIA PARA TAXAR O TURISMO
Tuesday, June 14, 2011
Turiscópio 10 Junho 2011Esperança no novo ciclo e nas constelaçõesAUTOR+FONTE: Humberto Ferreira - publicado no semanário PUBLITURIS em 09 Junho 2011
QUADRO DE HONRA – Apontei a distinção mensal aos dois grandes eventos náuticos realizados em Cascais e no Arade. Mas
Portugal continua a não projectar os eventos que valorizam o turismo receptivo. A comunicação social ignorou a 1ª etapa de 2011 das regatas da
AudiMedCup em Cascais. Mais badalada foi a
F1 em Motonáutica em Portimão mas sem desmobilizar os adeptos da bola, política e concertos rock.
Agora,
de 6 a 14 de Agosto próximo, Cascais acolhe o “circo” da Taça América para a 1ª etapa das eliminatórias dos dois finalistas em 2013, na Baía de San Francisco. Esta nova série faz parte da
mais prestigiada prova mundial de vela desde 1851. Espero bem que se conjugam os indispensáveis esforços para projectar, desde já, este evento entre o público português, e que
este novo ciclo governamental facilite, promova, sensibilize e divulgue online os calendários programados em cada época em Portugal.
Poderia ainda recorrer à falhada hipótese da
Ryder Cup 2018, que acabou de ir para França. De tantos países, nunca me passaria pela cabeça a França, mas também
que país pensaria em apresentar uma importante candidatura internacional na Comporta, um destino de golfe no papel? Este foi
o atestado de distracção que faltava a quem tem gerido o nosso Turismo Oficial há 6 anos.
Neste período, não faltou a duplicação de organismos, nomes, decretos e teimosias. A mais recente farpa:
os operadores turísticos passam a “agências organizadoras”. É bom Portugal ser diferente, mas daí a mudar os nomes mundiais correntes? É desfaçatez ou teimosia impulsiva?
Assim, para o
Quadro de Honra de Maio avanço com o
colóquio ”Turismo e Mar – 2000 km de Oportunidades”, organizado pelos
mestrandos da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, a 31 de Maio. Cerca de 20 talentosos oradores cumpriram o vasto programa de produtos, normas, oportunidades e tendências do Turismo no Mar. E os jovens licenciados com poucos meios tiveram um desempenho a 100%. Proponho ainda
duas menções honrosas para as campanhas do Turismo da Madeira (Festa da Flor) e dos Açores.
OPORTUNIDADE PARA AS CONSTELAÇÕES – A ideia foi do saudoso prof. Ernâni Lopes: criar as
Constelações do Turismo e do Mar. Há hoje bastantes seguidores, entre os quais me incluo.
Ora com tanto fórum, confederação, missão, e tantas ideias úteis, há que enquadrá-las em
“constelações” de saber e liderança. É um termo português que exprime o popular “cluster” do prof. Michael Porter. É a forma fácil de dinamizar a economia numa fase de esperança. O
Turismo e o Mar são os sectores mais adiantados nesta onda, cabendo à sociedade civil formalizar estas constelações de base associativa, para mudar Portugal.
MELHORAR- Quando se muda o governo, ou a direcção de uma empresa, a tendência aponta para se ignorar todo o anterior trabalho feito. Encomendam-se mais estudos, contratam-se novas caras e demora-se a inventar alternativas para se melhorar, por magia, o país ou o ramo. A herança é má
mas se empresários e técnicos se unirem até se esquecem da burocracia. Tal como os bons árbitros pouco aparecem nos bons encontros de futebol.
Na situação de devedores comprometidos com a Troika, não há espaço nem verbas para se mudar tudo, pois
começa-se logo a trabalhar na época alta do Turismo. Confio que o
novo SET, vindo da área do PSD, seja conhecido, experiente e com provas dadas. Um dos males é a inconsistência dos programas eleitorais e de governo, dispensando governos ”sombra” e responsáveis por cada área, que estudem as mudanças a introduzir na legislatura seguinte. Creio que
o novo ciclo dignificará mais os secretários de Estado. FIXAR METAS – Não mudar por mudar nem sequer
o esquema esquizofrénico da regionalização polarizada. Estancar sim a histeria da liberalização europeia, visando a instalação de empresas e serviços adhoc, sem gestores e profissionais habilitados em cada ramo, que possam garantir a prestação de serviços ao nível das normas europeias de qualidade. Um antigo objectivo europeu ignorado pela Comissão e Parlamento Europeu. Oxalá me engane, mas
a directiva Bolkenstein vai, por si, fomentar fraudes e abusos, nos múltiplos serviços desregulados e prestados no espaço da UE a milhões de consumidores de todo o mundo.
A competitividade não pode ser uma desculpa para a expansão do intrusismo! DEFENDER O PORTUGUÊS – E estancar outra histeria lusa:
o abuso de nomes ingleses para atrair mais clientes estrangeiros aos hotéis e outras unidades. O governo que implementou
a escrita à moda dos Palops foi o mesmo que transformou os nomes de hotéis portugueses em ”sucursais” dos quartos com pequeno- almoço em Blackpool. Tarefa imediata: expedir banners nos portais do TP, entidades e pólos de turismo,
apelando à descontinuidade desta moda. Pedindo mesmo
apoio aos principais grupos hoteleiros, restauração, animação e indústria alimentar. A oferta não pode abdicar da nossa língua nem da nossa identidade e cultura
mas deve evitar nomes nasalados, ou com demasiados R, X ou Z, para facilitar o uso do português aos estrangeiros, pois até há
nomes portugueses lindos, como AMIGO.
SEGMENTAR TAREFAS – O novo governo deve dar
mais protagonismo aos empresários e gestores mais dinâmicos e com capacidade de reunir consenso e parcerias inovadoras. Empresários e gestores ficam gerações, políticos e “boys” mudam com frequência, e os substitutos demoram anos a aprender, excepto quando vêm do privado.
Importa definir melhor a segmentação,
promovendo mais os destinos “premium” e menos os populares (low-cost), pois convém-nos, a nível externo, cativar e vender os produtos mais caros. Portugal tem uma óptima oferta,
cobrindo vastos segmentos da procura. Mas há países a adoptar, durante décadas, factores que valorizam a sua imagem externa e se identificam com a sua cultura, através de um bom slogan.
O que o que mais nos identifica, hoje, é o Desporto e as provas internacionais. E o desporto está ligado ao clima, gastronomia, eventos, animação e sobretudo à hospitalidade. Logo,
a 1ª ferramenta a melhorar é o calendário online de eventos patrocinados pelo Turismo de Portugal, destacando com
um selo de garantia os eventos de maior projecção internacional, como a cultura europeia em Guimarães ou a regata dos grandes veleiros no Tejo em 2012. Mas há mais!
Labels: RENOVAR CONFIANÇA NO TURISMO
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