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OBSERVATÓRIO DA CONCORRÊNCIA TURÍSTICA - I:
- COMPARAÇÕES PORTUGAL/ESTADOS UNIDOS
E REACÇÕES SEMPRE TARDIAS À CRISE
- Texto para leitores conhecedores da problemática do Turismo - com experiência em órgãos de promoção, gestão ou licenciamento de iniciativas turísticas; em operadores ou agências turísticas; em transportadoras aéreas, marítimas, fluviais, ou terrestres; e em unidades hoteleiras ou em meios de alojamentos turísticos complementares, restauração e animação.
Resumo: A concorrência externa ao nosso Turismo deve ser mais estudada e travada a febre da mudança de leis para pior, quanto antes. Já os (poucos) contributos intersectoriais divulgados ao público, devem ser aproveitados para melhorar a formação, produtividade, competitividade, capacidade de valorização regional dos investimentos e antecipação ao mercado. Mas não! Ignora-se o avanço dos concorrentes na conquista de posições em segmentos vitais para a expansão das empresas e produtos lusos. E na falta de fundos para as extravagâncias públicas, aumenta-se o IVA de 17% para 21% em pouco tempo! Se os privados aumentam os preços caiem as vendas e adeus aos lucros! Esta é a dicotomia público-privado e o preço da inércia em não se desafiar a concorrência! Depois queixam-se repetidamente de assimetrias e crises!
(Texto original publicado no semanário PUBLITURIS em 9 de Fevereiro de 2007)
A concorrência externa deve ser mais estudada e a mudança de leis quando para pior deve ser travada. Pelo contrário, os contributos intersectoriais devem ser aproveitados para melhorar a formação, produtividade, competitividade, capacidade de valorização regional dos investimentos e antecipação à evolução do mercado. Mas não! Ignora-se o avanço dos concorrentes na conquista de posições em segmentos vitais para a expansão das empresas e produtos lusos. E na falta de fundos para as extravagâncias públicas, aumentam-se os impostos - o IVA subiu de 17% para 21% em pouco tempo! Se os privados aumentam os preços caiem as vendas e dizem adeus aos lucros! Esta é a dicotomia público-privado e o preço da resistência ao não se desafiar a concorrência externa!
TURISMO REGIONAL EM CRISE
O governo descartou todo o trabalho de agrupamento de municípios e coordenação do Turismo Regional, feito de 1980 a 2005, optando por um mapa de 10 "agências regionais de turismo" desenquadrado da prática. Despromove as Regiões de Turismo (RT) para ... agências e gera polémicas estéreis entre autarcas, empresários, profissionais e consumidores. Quer banir tudo sobre regional e regionalização. Quer governar o país por agências: estratégicas (CCDR), periféricas (RAM e RAA), de regulação (AdC, etc.), inovação, investimentos (API), elefantes brancos (Ota, TGV, Metros de Lisboa, Porto e Almada), etc.
Escondidas as 11 províncias e a fórmula das Áreas Metropolitanas, Comunidades Urbanas e Rurais (a pecar pelo voluntarismo de Relvas), amanhã acabam os 18 distritos e dezenas de freguesias! Rendido aos tecnocratas das estatísticas tardias, viveremos sob o império das NUT III = Nomenclatura de Unidades Territoriais para estatísticas. O mapa NUT I respeita ao Continente e Regiões Autónomas (nível nacional), o NUT II às cinco CCDR e duas autonomias, e o NUT III a 28 agrupamentos municipais (incluindo 315 concelhos) e dois na Madeira e Açores (com 30 concelhos). A aplicação do NUT III respeita à divisão litoral-interior e à atribuição de obras e verbas comunitárias de apoio (QREN). Daí a separação do turismo litoral do interior, quando são complementares, como no Minho, Grande Porto e Lisboa, Algarve, etc. E é desta matriz estatística - incluindo a divergência entre Serra da Estrela e Beiras - que Portugal vai enfrentar a concorrência internacional com sete "mantas" traçadas por burocratas. Só nos Açores, Madeira e Algarve, o NUT III e a geo-estratégia condizem!
Comprando tanta guerra como se ajuda o Turismo, Ordenamento e Ambiente, em época de contenção de gastos? Como pode o titular da Economia acudir à Indústria, Comércio, Exportações, Tecnologia, Investimento Estrangeiro (com a gaffe dos salários baixos?) e Turismo Receptivo? Do cenário interno passo ao externo.
TENDÊNCIAS MUNDIAIS
A UNWTO (nova sigla da Organização Mundial do Turismo) revelou (em Janeiro e não em Julho, como é prática do INE), que se registou, em 2006, um total de 842 milhões de chegadas de turistas às fronteiras - um crescimento homólogo de 4,5%, excedendo os 4,1% previstos. Para 2007, prevê-se pelo quarto ano a subida sustentada acima dos 4%, num ciclo até 2020. A Europa contribuiu com um aumento superior a 4% - destacando-se a Alemanha (efeito do Mundial) e Espanha. Nas Américas o Turismo cresceu 2% em 2006, sendo os elos mais fracos: EUA, Canadá e México. A América Central cresceu 6,1% e a América do Sul 7,2%, destacando-se, acima dos 10%, a consolidação do turismo no Chile, Colômbia, Guatemala, Paraguai e Peru.
REACÇÃO DOS EUA
Não tardou a reacção do turismo privado dos EUA, com o relatório anual Blueprint Discover America pela Travel Industry Association (TIA), destinado a fortalecer a segurança, reparar a actual imagem negativa do país, e atrair mais turistas estrangeiros. Os privados adiantaram-se sem subsídios. Entre 2004-2005, a quebra de turistas entrados nos EUA foi de 10% - melhor de que a queda média de 17% entre 2001-2005. E a quota receptiva americana para o turismo global caiu 36% em 14 anos (quando superou a Espanha).
A TIA apontou, entre os óbices ao crescimento, as dificuldades para obtenção de vistos, mau acolhimento nas fronteiras, e imagem negativa da administração. Nem o câmbio favorável euro-dólar tem sido favorável.
PLANO CHAVE NA MÃO
A TIA propõe um investimento de 300 milhões de dólares, capaz de gerar receitas compensadoras, impostos e novos empregos. Visa três reformas: o sistema de vistos, garantindo processos até 30 dias e acordos com os países-alvo do programa; a melhoria dos sistemas de segurança, dotando 12 aeroportos com meios avançados de segurança tecnológica e pessoal bem treinado e hospitaleiro - contratando 250 novos elementos - e garantindo o máximo de 30 minutos para entrada no país; e recriando a imagem de uma hospitalidade calorosa, através de um programa público-privado de relações públicas e media, sobre casos de sucesso de visitas à América. A TIA, Ministério do Comércio, Associação Nacional de Restaurantes e Shop America Alliance, propõem-se instalar portais multi-lingues (dirigidos aos países geradores de 75% de turistas), promovendo o melhor da América , em colaboração com os State Tourist Offices, Convention & Visitors Bureaux, Amexco, Travelocity, Yahoo, Fodor's Guides, etc. A TIA representa milhares de empresas turísticas avaliadas no conjunto em mais de 703 mil milhões de dólares e divulgou ainda o Barómetro do Turismo (TTB), fornecendo previsões das chegadas de turistas do Reino Unido, Alemanha e México - os três maiores mercados. Entretanto, o Congresso já marcou um debate sobre este problema. É um tema para os leitores exercitarem a sua vocação interactiva, na senda do desafio lançado na n/edição da BTL. Aguardamos as v/opiniões via e-mail. Para a semana espero voltar ao tema. Por fim, a TIA é a voz activa do Turismo americano, espelho de racionalização e operacionalidade, e avança com propostas ao governo, apoiada nos parceiros mais relevantes. Lá como cá, são precisas soluções geniais. Resta saber se este executivo de Washington é flexível e se, cá, os privados estão à altura do desafio?
POSTED BY HUMBERTO ON FRIDAY, 23 FEB. 2007, AT 19h45 (7h45 pm) LOCAL TIME
posted by humberto salvador ferreira #
11:36 AM 