Divulgar Sagres. Bem-vindos ao melhor surf, pesca, mergulho, ciclo-turismo, e às praias vicentinas. Comentar a actualidade. Debater Ambiente, cruzeiros, aviação, excursões, hospitalidade, eno-gastronomia, desportos, cultura, eventos, formação e conhecimento. Aberto a contributos e críticas.
SEMANA A SEMANA POR HUMBERTO FERREIRA
TURISMO: Internacionalizar mais Eventos Lusos
Não falta animação no desporto, cultura e política. Mas faltam ainda mais estrangeiros na nossa amena época turística baixa. O ano começou bem com o II Lisboa/Algarve/Dacar, seguindo-se provas de triatlo, ginástica, golfe, ténis, automobilismo (Rali de Portugal no Estádio do Algarve), motociclismo, motonáutica, surf, vela, etc. Em Julho os media concentram-se em Cascais nos campeonatos mundiais de 11 classes olímpicas da ISAF, seguindo-se a AG e gala da ISAF no Estoril. No intervalo o show das Sete Maravilhas (do Mundo e de Portugal) com um cartaz excepcional mas algo prejudicado pelo concerto Life Earth no mesmo dia. Falta de coordenação ou despropósito?
Cascais atrai 1300 embarcações (de atletas e dirigentes), 1600 velejadores, 500 dirigentes, 250 jornalistas estrangeiros e milhares de dormidas de acompanhantes, presentes para assistir à qualificação de 75% das equipas aos Jogos Olímpicos de 2008 na China.
TV e internet são fortes concorrentes dos promotores destes eventos, pelo que a promoção dirigida a este nicho deve ser renovada e intensificada, aproveitando as próprias emissões para atrair mais praticantes e turistas aos locais de competição. Como? Recorrendo aos portais e canais TV mais visionados, ou criar um atractivo portal Events in Portugal (ou What's On in Portugal) com prémios para os melhores eventos programados e para os melhores vendedores, assim como incentivar a organização de prémios para distinguir personalidades nas diversas áreas, associações, clubes, empresas, organismos nacionais e estrangeiros. Iniciativa especializada, bem organizada e actualizada online. Acabar com os fracos cartazes de Eventos Lusos transmitidos ad hoc. Sem inovação, criatividade ou planeamento das presenças nos media! Valendo-nos das pechinchas, sem articular os interesses dos destinos, modalidades, empresas e patrocínios! Basta ligar a TV externa e assinar newsletters do trade para comparar as campanhas que os nossos concorrentes fazem! Chega em Setembro a mais-valia do roteiro semanal TimeOut Lisboa (da Capital da Escrita), a preço acessível? Ora roteiros culturais, desportivos e turísticos devem ser pagos pelos promotores. Não pelo público! Voltarei a este tema.
LOGISTICA EUROPEIA PARA ALTA POLÍTICA
A última presidência rotativa da União Europeia em Portugal será óptima. Esperam-se 40 mil dias/quartos e 50 mil refeições a servir, mais muitos carros alugados e outras receitas. No capítulo dos encargos, nota-se o efeito Prace! As reuniões têm lugar no espólio do Ippar em várias cidades distritais (o Centro da Junqueira estava reservado) e o Press Room na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico. Eureka: o MNE negociou tarifas especiais com a TAP para os delegados, num esforço de afastar as low-cost da alta política! Podem servir para turistas jovens e seniores mas não para eurocratas!
EVENTOS MENOS MEDIÁTICOS
Mas há mais turismo para além de Bruxelas. Passou despercebido que o areal da Ilha de Tavira recebeu o Sports Meeting 2007 (4/7 Abril) reunindo 3000 amadores de 32 modalidades, numa maratona de 72 horas. A abertura da Colecção Berardo no CCB só resistiu em Portugal aos ecos da cimeira de 21/23 Junho em Bruxelas. As romarias e feiras do Mar, Cavalo e Agricultura (vindimas, amendoeiras em flor, etc.) são ignoradas face à projecção dos concertos rock e hip-hop com cartazes rascas. O mesmo sobre provas de desportos radicais, maratonas de natação, hipismo, Challengers Trophy, campos de férias e ateliês do Instituto da Juventude, Movijovem, etc. (intercâmbio entre jovens estrangeiros e do potencial das nossas pousadas de juventude), ou festivais nas praias de Portugal e de gastronomia todo o ano. As opções de animação estão para o turismo como as marcas de vinho. Não há mãos e medir! Falta organizar, promover e racionalizar os trunfos!
MELHORAR ANIMAÇÃO E RESTAURAÇÃO LOCAL
Assisti a três eventos recentes. Em Sagres, à festa de promoção da Fortaleza de Sagres às Sete Maravilhas de Portugal. Uma feira medieval, petiscos, shows de ruidosa música da moda e um excelente fogo de artifício final. Às Marchas de Lisboa, cujo figurino precisa de mais criatividade e ritmo. Por muito que se goste de música e cultura afro-brasileiras, acho que no Carnaval do Rio não faria sentido uma marcha de Lisboa! E em Almoster (Santarém) às Tradições do Mosteiro: festivais de folclore, fado e gastronomia ribatejana. Folclore que também precisa de reforma. Tirando os grupos do Minho e Madeira, é tudo muito velho, triste e monocórdico. Até o corridinho e fandango dançados por veteranos de preto e cinzento são cansativos. Salva-se o vira e malhão. Lembro o Verde Gaio - corpo de baile em São Carlos e embaixador do nosso folclore, apreciado por todo o mundo. Nota negativa à falta de higiene na restauração ambulante, anunciada como gastronomia regional, e à acção pouco pedagógica da Asae. Mas parabéns à Aresp que conseguiu fazer recuar o governo na lei anti-tabaco.
PARFOIS PRESENTE NA CELEBRITY CRUISES
A marca portuguesa Parfois abriu lojas de acessórios de moda nos paquetes Galaxy e Millenium, este Verão em cruzeiro na Europa. A experiência dura dois meses. Se for positiva, adapta-se à linha Parfois internacional. Uma lição, em especial aos produtores nacionais de vinhos, bebidas, moda desportiva, calçado e artesanato.
O MISTÉRIO SEMANAL DA OTA - I
Nota positiva para a Associação Comercial do Porto. Estes empresários finalmente entenderam que a mudança da Portela para a Ota lhes era prejudicial. Uma coisa é o centro da gravidade do território nacional (sei que é o centro geodésico mas gravidade é mais directo ...) ser em Vila do Rei. Outra é atirarem o NAL para Norte do Tejo. É para encurtar o voo Lisboa/Porto ou para agradar aos taxistas da AML? A ACL ignorou até aqui que a rota Porto-Ota só serviria para alimentar o tráfego de médio e longo curso que ainda serve os dois principais aeroportos, com magras receitas pro-rate, mas que perderia o tráfego directo entre as áreas metropolitanas! Desmotivando também o tráfego Ota-Algarve! Aliás quem entende a lógica da articulação das rotas Porto, Ota, Faro e Beja? Ou quem será o campeão da rota Lisboa/Madrid: o TGV ou o air-low-cost? Quantas vezes mais preciso de repetir isto? Podem descansar que não me canso!
Artigo publicado na página 6 = Turiscópio do semanário PUBLITURIS.
posted by humberto salvador ferreira #
2:54 PM 