Divulgar Sagres. Bem-vindos ao melhor surf, pesca, mergulho, ciclo-turismo, e às praias vicentinas. Comentar a actualidade. Debater Ambiente, cruzeiros, aviação, excursões, hospitalidade, eno-gastronomia, desportos, cultura, eventos, formação e conhecimento. Aberto a contributos e críticas.
CAROS AMIGOS LEITORES DO SAGRESCHOOL.BLOGSPOT:
Após um prolongado interregno motivado pelas férias grandes - passadas durante os meses de verão entre Sagres e as Termas de Monte Real - e agravado por problemas tecnológicos e desconhecimento das normas do meu actual servidor de internet - volto ao vosso convívio. A minha última postagem data de 16 de Julho.
O meu ambicioso plano agora é garantir uma postagem diária. Vou ver se consigo. Assim como começar em breve a divulgar neste blogue, em fascículos, os dois projectos de escrita que arquitectei durante este interregno:
Um sobre OS NAVIOS DA MINHA VIDA - comecei a tirar o curso de arquitectura naval em Glasgow em 1956 e daí para cá a minha vida andou sempre ligada a navios - a trabalhar, a viajar ou a estudar. Alguns dos mais belos, maiores e mais conhecidos do mundo. Creio ter curiosos testemunhos a transmitir destas múltiplas experiências pessoais.
Outro sobre AS VIAGENS DA MINHA VIDA - comecei a viajar para o estrangeiro em 1955 e não parei. Já lá vão 52 anos. Conheço mais ou menos bem e tenho escrito bastante sobre: Portugal e a Europa, sobre a América do Norte e do Sul (do Alasca à Paragónia), sobre o Extremo Oriente e o Pacífico (conheço as ilhas Fiji, Nova Guiné, Guam, Taiti e Filipinas), sobre a Austrália e Nova Zelândia. Conheço menos da África (apenas o Egipto, Tunísia, Marrocos, Guiné-Bissau e Senegal, África do Sul e Moçambique), do Médio Oriente (apenas Israel, Líbano, Teerão, Bagdade, Dubai, Abu Dhabi), e da Ásia (apenas Mumbai, Nova Deli, Bangkok, Pequim, Guilin, Xangai, Shian, Hong-Kong, Macau, Taiwan, Tóquio, Quioto, Osaka, Monte Fuji, Nara, Manila). Vou reunir e actualizar os textos sobre estas expedições, estadas e viagens de estudo e fazer o meu ranking dos melhores destinos, sob os pontos de vista turístico, social, de progresso e de futuro.
Oxalá tenha engenho, arte e saúde suficientes, assim como leitores interessados - pois o tema de Sagres ou os temas da actualidade crítica da situação política portuguesa, têm tido pouco eco.
Obrigado pela atenção e não hesitem em comentar e criticar.
humberto ferreira
SEGUE O PRIMEIRO TEXTO DESTA NOVA FASE
Comboios europeus renascem com mais conforto
Vi o programa da CNN sobre o advento dos caminhos de ferro (CF) internacionais na Europa. Reacção aos aeroportos congestionados, às crescentes medidas de segurança, aos consequentes atrasos e, no caso dos voos low-cost, os terminais ficarem cada vez mais longe dos destinos que enganosamente anunciam servir. Nota-se de facto uma gradual transferência de clientes do transporte aéreo para os comboios inter-cidades nocturnos, em percursos inferiores a quatro horas, e que aceitam reservas e bilhetes pagos online, ou distribuídos por agências de viagens. Os CF europeus, que têm vivido à custa de monopólios estatais, resistindo às alianças e apostas no marketing, estão, finalmente a mudar e a acompanhar as modernas técnicas de gestão, comercialização e operação. Uma mudança bastante positiva e que começa a dar os primeiros frutos.
As primeiras privatizações dos CF europeus surgiram no Reino Unido de Margaret Thatcher e o Eurostar Londres-Paris nasceu em 1987 - com algumas carências sim, mas ao cabo de 20 anos tornou-se num inegável factor de coesão europeia.
O Eurostar vai abrir a 14 de Novembro de 2007 uma nova linha Londres-Bruxelas (230 milhas em 1H45) e a SNCF, DB, assim como os CF belgas, suíços e espanhóis estão a aproximar-se para apostar numa primeira rede de alta velocidade com sete hubs iniciais: Londres, Paris, Bruxelas, Colónia, Estugarda, Zurique e Barcelona. Oferecendo boa qualidade e conforto nas classes grand e business - em carruagens-hotel, restaurante e salão-bar - e com a vantagem dos passageiros embarcarem e chegarem ao centro das cidades de destino. As viagens são mais caras que os voos low-cost, mas os clientes poupam uma noite de hotel, chegam em forma às reuniões, fugindo ao desagradável stress do trânsito matinal nestas sete grandes metrópoles europeias aderentes aos comboios ICE.
EXPERIÊNCIA - As minhas viagens ferroviárias foram sempre ligadas a voos com horários inconvenientes ou greves. Os percursos que gostei mais: Nice-Paris e Paris-Bruxelas. E menos: de Londres para Glasgow, Liverpool, Cardiff e Manchester; de Milão para Génova e Florença; ou de Berlim a Frankfurt e Nuremberga. Positivas e interessantes, as viagens TGV: Paris-Lyon e Paris-Saint Nazaire.
Mas, com excepção do percurso Paris-Bruxelas, foram ligações domésticas.
Uma vez fui do Algarve ao Brasil. À ida tudo bem Faro-Lisboa-Rio de avião. Mas na volta, como só havia voo ao fim da tarde de Lisboa para Faro, optei pelo então novo produto da CP o Sotavento de Lisboa para Lagos. Mas primeiro fui de ferry do Terreiro do Paço ao Barreiro e na altura não havia malas com rodas. Do cais andei uma grande distância até à carruagem (sem ar refrigerado mas lotação completa). Chegado a Albufeira Gare (longe da praia) esperei pelo tranvia para Lagos. Veio atrasado e vazio. Portanto, da estação do Sul e Sueste a Lagos demorei mais do que de São Paulo à Portela. Zero em comodidade e 20 horas desde o hotel paulista a casa em Sagres. Esqueci, assim, o produto luso-rail, para além de poucas viagens Santa Apolónia-Campanhã nos vários comboios que a CP tem promovido e despromovido, incluindo o Alfa-Pendular.
ADAPTAÇÃO E VISÃO - Hoje a CP já vende passagens pela internet mas o problema ibérico é o da bitola diferente nas linhas, provocando pesados investimentos nas ligações a França. A rede TGV-AVE vai eliminar isso, uniformizando finalmente a rede europeia. A Espanha abriu o AVE Madrid-Sevilha há mais de 10 anos mas a linha para a Catalunha demora, enquanto cá continuam a insistir no TGV Porto-Vigo - tranvia inexpressivo quando comparado com Amsterdão-Roterdão ou Colónia-Frankfurt.
Se sugerissem Porto-Santiago, ou uma parceria Porto-Bilbau-Bordéus - envolvendo os CM franceses, espanhóis e portugueses - daria uma inovadora rota de negócios e turismo no Nordeste da Península. A qual teria que ser equilibrada a Sudoeste com o Arco do Sudoeste Ibérico - Algarve-Anadaluzia-Valência - para satisfação dos operadores e viajantes nacionais e estrangeiros nas rotas mais panorâmicas do litoral ibérico. Creio, porém, que ambas seriam, de início, sujeitas a prejuízos, dada a apetência popular pelo automóvel e pelo avião nos últimos 50 anos. Mas a opção é tentar renascer o CF por causa da pressão da conservação do planeta, ou continuar a gastar combustíveis fósseis a um ritmo acelerado para um futuro de atraso civilizacional. Devemos esses investimentos às novas gerações.
INTER CITY EUROPEU (ICE) - O carismático repórter Richard Quest fez para a CNN três trajectos no ICE: Paris-Stuttgart-Zurique-Barcelona - cada em menos de quatro horas. E conseguiu convencer-me pela comodidade e forma prática como se comportou nestas jornadas ferroviárias. Jantou, dormiu, tomou bons primeiros almoços e desembarcou no centro das cidades com uma mala de rodas.
E não fiquei indiferente, também, à vantagem ambiental. O CF emite dez vezes menos CO2 e gasta três vezes menos energia. Al Gore sensibilizou mais uma parte da população mundial, em poucos meses, que o fundamentalismo doss ambientalistas durante os últimos vinte anos.
Estes comboios inter-europeus terão futuro enquanto os aeroportos forem mais periféricos e a segurança mais apertada e cara, ou as empresas aéreas aceitem menos bilhetes corridos interline (sempre mais caros).
E aviso, desde já, o ministro Mário Lino e a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino: com tarifas no futuro TGV da ordem de 40 euros Lisboa-Porto e 100 euros Lisboa-Madrid, não vão conseguir retirar muitos carros da estrada nem clientes aos voos low-cost ponto-a-ponto - voos que praticam tarifas médias entre 29 e 49 euros de Lisboa para Madrid, Palma, Barcelona ou Londres, mesmo com o barril de petróleo a 90 dólares. Atenção!
OPÇÕES INTERLINE E CLUSTER - Em 2006 viajaram nas rotas AVE/TGV europeias 15 milhões de passageiros esperando-se 25 milhões em 2010. Sensivelmente o mesmo que em navios de cruzeiro - cujos armadores são também sensíveis à conservação dos oceanos e da energia.
Adeus Sud-Express - cujo prazo, aliás, vai durar apenas até que o TGV ibérico chegue a Paris. O mesmo sucedendo ao Lusitânia Expresso para Madrid. Portanto, o TGV ibérico também fará estas duas vítimas, acabando com tradições excessivamente dispendiosas de uma época ultrapassada.
Por outro lado, resta saber se o InterRail, que fez 35 anos, sobreviverá, assim como o Orient-Express - tradição que Agatha Christie imortalizou e que tem altos e baixos. Resumindo, exceptuando ingleses e franceses, mais abertos ao uso recorrente do CF, a Europa tarda em promover o interline ferroviário. Espero que esta iniciativa do ICE entre sete hubs europeus se multiplique depressa e que os CF europeus saibam projectar com dinamismo um forte cluster ferroviário.
LONDRES - Entretanto, Londres prepara-se para ocupar a posição de primeiro hub ferroviário europeu. O Eurostar muda o terminal em Londres, de Waterloo para St. Pancras Station. Ultima-se a modernização desta estação victoriana de 1866, que será a Grand Central Station de Londres, entre outras atracções, com uma moderna zona de shopping e champagne bar - bebida que continua na moda.
Espero que sobre espaço em St. Pancras para um salão-bar de promoção e venda do vinho do Porto e produtos lusos. Para tal é preciso que os privados acordem e apostem como deve ser, em força e em grande, na promoção dos clusters "The Best Of Portugal".
Nos Armazéns Harrods', em Londres, Outubro foi um mês positivo para o Turismo e alguns produtos lusos. Um canto permanente de vendas "Made in Portugal Amigo" na renovada estação de St. Pancras - novo terminal londrino dos comboios continentais, seria um primeiro passo ideal, se os grupos portugueses se unirem numa ofensiva comum para estimular os ingleses a consumir mais vinhos do porto e de mesa, mais produtos alimentares, de decoração e moda portuguesa e, por tabela, a viajar mais para Portugal em férias ou fins de semana. Portanto, a opção que cabe aos empresários portugueses contemporâneos é cruzar os braços e pedir subsídios a um governo tecnicamente falido, ou avançar e investir no empreendorismo.
BREVES: DO ORÇAMENTO AO SUPER-JUMBO
ORÇAMENTO - O OE2008, face ao actual outlook cinzento da economia global - baseando-me na subida do petróleo e no previsível alastramento à Europa da crise americana - será de sacrifícios e recuo no bem estar das empresas e dos cidadãos comuns. Prevê a privatização, por tranches, da TAP, EDP, REN e Galp. E só para 2009 será a da ANA no pacote do NAL - Novo Aeroporto de Lisboa. De resto, sobre Turismo ZERO.
FÁTIMA - Grande evento teve lugar na inauguração da Basílica da Santíssima Trindade, nas comemorações, a 13 de Outubro, dos 90 anos das Aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos da Cova da Iria.
Fátima fica, assim, na rota de mais peregrinações e encontros de católicos de todo o mundo. Uma ocasião ímpar para se reforçar a promoção de Portugal nos EUA, país que nos anos 60/70 forneceu a maior fatia de peregrinos intercontinentais.
MADEIRA - Aguarda, finalmente, a liberalização aérea - sob duas ópticas. Uns sonham já com um destino low cost, como o Algarve se tornou devido à proliferação de voos com origem em Inglaterra. Outros pensam que a Madeira se tornará num destino servido por mais operadores europeus que, graças à maior concorrência de novas transportadoras aéreas, garantam melhor qualidade e façam mais do que os grupos British Airways, TAP, Iberia, Lufthansa, Hapag Lloyd, First Choice e outros não conseguiram fazer, e que os portugueses não deixaram que a Air Luxor fizesse.
Algures no meio estará a virtude. Entretanto, a GB Airways, empresa sediada em Gibraltar e franchisada pela British Airways para operar os voos de Inglaterra para Portugal (incluindo o Funchal) e vários destinos no Mediterrâneo, acaba de se vendida à Easyjet - uma das maiores companhias europeias de voos low-cost.
SUPER JUMBO - Com a recente entrega do primeiro A380 à Singapore Airlines abre-se um novo ciclo da aviação. Com 471 lugares (sleeping-beds na primeira classe) esta unidade destina-se ao segmento cinco estrelas. Mas outras versões entre 525 e 853 assentos em classe única, facilitam a expansão das low-cost de longo curso. Cerca de 20 cidades aguardam os próximos voos comerciais do A380: Paris CDG, Heathrow, Frankfurt, Montreal, NYC, LAX, Dubai, Doha, Abu Dhabi, Mumbai, Nova Deli, Singapura, Kuala Lumpur, Bangkok, Sydney, Pequim, Guangzhou, HKG e Tóquio. Há 173 encomendas em carteira para 14 empresas, 66 das quais para rotas na região Ásia-Pacífico - a mais escolhida para esta aeronave graças às óptimas expectativas de crescimento económico, social e turístico nas próximas décadas. Não surpreende que a nossa Península fique, pois, na segunda liga do novo ciclo da aviação comercial.
TEXTO INTEGRAL do artigo publicado (em versão condensada) no semanário PUBLITURIS - jornal da indústria portuguesa do Turismo, editado em Lisboa pela Publiotel-Workmedia. Edição de 26 de Outubro de 2007. Autor/copyright: HUMBERTO FERREIRA
posted by humberto salvador ferreira #
11:10 PM 