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Ponto de mira do Novo Turismo por Humberto Ferreira / Publituris 8 Fev 2008
O Turiscópio faz 33 anos. Antes, escrevi a coluna "Agente Secreto" (o nosso jornal era visado pela Censura e vigiado pela Pide/DGS) e fui avisado de que os meus textos na revista Vela deviam ser moderados. Passei para o Yachting e Vela Brasileira. Aliás, comecei a escrever para jornais em 1953 no Glasgow Herald.
Nas próximas edições faço o balanço de 40 anos de intervenção turística, sobre sugestões e causas ganhas e perdidas: a saga de um não alinhado.
Entretanto, o mundo atravessa mudanças, sem garantias de recuperação sustentável nos planos global, económico, social, educativo, ambiental e cultural. Duas certezas: o Turismo é um direito para crescentes núcleos da classe média; e tem crescido ano a ano, tornando-se no motor da economia. E o Turismo Social para a classe baixa também cresce. Mas os nossos políticos e intelectuais raramente admitem a importância do sector. Só no Dia Mundial do Turismo o discurso oficial diz que este cluster assenta na principal estratégia da recuperação económica! Enquanto no país real a auto-estima mede-se no dia-a-dia à custa do foco apontado ao futebol e ... à campanha WC ... para energias renováveis e ... turismo.
Mas o que será o Novo Turismo com a baixa do poder de compra da classe média? Desafio académicos a estudar as expectativas das novas gerações (onde o NovoTurismo ocupa lugar cimeiro) não obstante os efeitos negativos dos ataques à classe média e da especulação nas bolsas, petróleo, construção, obras públicas e corrupção? Pela minha parte vou ajudando com este ponto de mira.
OPINIÃO FAVORÁVEL - Tenho sido jornalista de reportagem, entrevista, noticiário, coordenação, direcção e opinião. Tenho dado a cara por muitas medidas positivas para o Turismo e desenvolvimento regional, e apresentando múltiplas sugestões. Eis algumas:
1 - A escolha de
Alcochete/Canha para o NAL, especialmente pelas difíceis manobras de navegação aérea na Ota e pela construção de uma plataforma com 70 metros de cota sobre um vale atravessado por três ribeiras. Querem maior atentado ecológico?
2 - A opção
Portela mais 1 - Portela para voos executivos ponto-a-ponto e o NAL em Alcochete. Pois Lisboa não pode ficar sem um aeroporto no seu termo.
3 - A nova
grelha do Turismo Regional, reduzindo de 19 RT (mais as Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto e as Regiões A utónomas da Madeira e Açores) para sete estruturas mais dinâmicas, polivalentes e com dimensão crítica à escala europeia. Mas não há bela sem senão: o diploma veio com duplicações ... e "acrescentos" para satisfazer autarcas que não vêem além das suas terras e, claro, os titulares dos habituais "tachos" políticos! Temos que dar os nomes às coisas.
4 - Foram eliminadas, finalmente, a maioria das
tascas de comes e bebes nas feiras, bolsas e mostras da oferta turística lusa junto de operadores, vendedores e consumidores estrangeiros. Aponto há anos a grave mistura das tascas com programas de qualidade apresentados por hotéis, casinos, golfes e outros operadores de qualidade. Se Portugal se quer afirmar destino de alta qualidade, não pode promover-se com estatísticas de turistas de mochila às costas e restauração em tascas que a Asae não aprova.
ORGANIZAÇÃO - Vou agora nas minhas intervenções apoiar as seguintes e iniciativas:
1 -
Manutenção da DGT - o nosso mais emblemático organismo. Um país que muda de orgânica, cada vez que tem novo governo, é porque anda sem rumo. Nos últimos anos tivemos múltiplas e dispendiosas experiências sob os governos Guterres, Barroso, Santana e Sócrates, desde campanhas incríveis à criação e deslocalização ineficaz de organismos para cidades periféricas.
2 - Reorganização credível e gestão dos
núcleos operacionais do cluster por pessoas que dêem a cara (o Turismo de qualidade deve ser personalizado), nas áreas da
Formação e Escolas;
Planeamento e Ordenamento das Áreas Turísticas Protegidas (instrumento que falta reconhecer),
Licenciamento de projectos, e Normas reguladoras das actividades;
Serviço de Apoio ao Crédito e Modernização da Oferta;
Fiscalização do Jogo e Gestão dos Planos de Obras Subsidiadas;
Turismo Receptivo e Prémios aos produtos, programas e iniciativas de promoção, gastronomia, organização de eventos, formação e informação de excelência, etc;
Serviço de Apoio a Investidores e Empresas;
Parceria PP de apoio às reformas legislativas e normativas (para evitar falências); e criação de seis novos pontos de apoio a profissionais lusos e estrangeiros: A -
Serviço de Atendimento em horário adequado aos vários fusos horários (uma parceria tipo super-desk) à mais-valia da hotelaria, turismo residencial, centros de congresso (criação do
Portugal Congress and Incentive Bureau com filiais em sete regiões turísticas), restauração, animação e distribuição online e tradicional; B -
Centro de Coordenação de Turismo Interno e Regional; C -
Centro de Apoio aos Mega-Eventos; D -
Parceria de Gestão do Calendário Anual de Eventos Online; e E - Novo
Observatório do Turismo, Estudos e Estatística. (para substituir e melhorar o antigo Gabinete de Estudos da DGT .É preciso delegar poderes e lançar jovens com competência para chefiar cada serviço, ao mesmo tempo que deve ser criado um
conselho consultivo sénior que possa transmitir à nova geração de dirigentes do turismo a sua experiência e saber. Não entendo como num país tão pequeno se pode desperdiçar o contributo de tantos quadros reformados da DGT e outros organismos e empresas do Turismo, Transportes, Hotelaria e Formação, entre outras?
3 -
Parceria para gestão do cluster do Turismo (talvez enquadrada na CTP) e do intercâmbio e articulação com outros clusters e serviços oficiais e privados - nas áreas da aviação comercial, cruzeiros, transportes, comunicações, desporto, património, cultura, natureza e "projectos green travel", energia, moda,
vinhos (talvez o produto com maior potencial na promoção bivalente, mas que exige um
plano de reorganização na produção e comercialização, incluindo a selecção e apoio de marcas capazes de garantir as metas elementares da
exportação e penetração junto das companhias de cruzeiros e cadeias hoteleiras multinacionais, com qualidade, assistência, insistência e capacidade de resposta), exportações em geral (até de rolhas), comércio e distribuição, etc.
4 -
Dinamização da CTP e das associações empresariais e profissionais. (registo com agrado as recentes iniciativas de revitalização de associações de agentes de viagens, directores de hotéis, guias-intérpretes e correios de turismo, promotores, etc.
5 - Criação do
Ministério dos Transportes e Turismo (sem Obras Públicas) pois sem transportes não há turismo, hotéis, meios complementares, viagens e eventos que vinguem! E poucos acreditam na força política de um ministro do Turismo!
UPGRADE OPEN SKIES - É um cluster complexo, onde todo o cuidado é pouco. A 25 de Janeiro, escrevi que a Open Skies era uma tentativa da British Airways no low-cost transatlântico. De facto a primeira notícia recebida subentendia ser low-cost. Na anterior experiência, a Go não atingiu a meta programada e a BA vendeu-a à EasyJet. Agora não repete o erro. A Open Skies vai operar, em Junho de 2008, exclusivamente com classe executiva, de Paris e Bruxelas para New York, ao abrigo do "open-skies EUA/Europa". Concorrente da Silverjet, Eos e Aestreus. Não da MaxJet, entretanto falida. Tendências que convém estudar em Portugal, onde as low-cost ... só estrangeiras?
O fenómeno low-cost faz também parte do Novo Turismo. As minhas desculpas aos leitores e à BA, pelo engano involuntário sobre a Open Skies.
posted by humberto salvador ferreira #
11:20 AM 