Divulgar Sagres. Bem-vindos ao melhor surf, pesca, mergulho, ciclo-turismo, e às praias vicentinas. Comentar a actualidade. Debater Ambiente, cruzeiros, aviação, excursões, hospitalidade, eno-gastronomia, desportos, cultura, eventos, formação e conhecimento. Aberto a contributos e críticas.
NOTHING CAN STOP TOURISM
Humberto Ferreira
Esta manhã (terça-feira, 2 Dez. 2008) fui surpreendido por uma reportagem na TV cuja mensagem era: não há crise nas agências de viagens. E que a maioria dos programas lançados no mercado para o Natal e fim-de-ano estão esgotados!
Creio que isto não seja verdade. Dizem-me fontes fidedignas que a situação é inversa: há programas a mais, allotments por preencher, e mais esforços para se vender mais lugares.
Quanto às informações recolhidas junto de agências de viagens, os programas mais vendidos este inverno têm sido: Madeira, Baleares, Espanha e Açores (por serem os mais baratos); e alguns destinos exóticos de longo curso. É a época habitual de muitas pessoas das classes altas viajar para tais destinos. Mesmo assim só foram apanhados na Tailândia 50 portugueses e em Bombaim 12! O que atesta a crise! Será que a estratégia usada é a mais adequada?
LOBI DAS OBRAS PÚBLICAS Há a considerar as grandes empreitadas de obras públicas previstas! Se o Turismo entra em crise global, os novos aeroportos (em curso na Portela, a começar em Alcochete, as obras previstas para Monte Real - uma antiga aspiração do Turismo de Leiria-Fátima, apoiada agora pelo Oeste, depois da anulação da Ota -, e a ampliação de Beja de aeroporto de carga para segundo aeroporto do Sul, a competir com Sevilha), mais as linhas do TGV para Vigo (via Porto) e para Huelva, Sevilha (via Faro ou Badajoz); incluindo mesmo a segunda auto-estrada para o Algarve, via Sines e o terminal de cruzeiros de Lisboa (destinado a substituir a bela Estação Marítima de Alcântara - a ocupar por contentores (disfarçados) numa nova praça a construir à beira-rio), podem ser adiadas até à crise amainar. Daí a fuga para a frente.
Aliás, basta ver os repetidos anúncios de ofertas nos jornais e nas montras das agências. Há mais oferta que procura. E este anos já fecharam algumas agências em Lisboa...
INVESTIMENTOS PÚBLICOS E MUDANÇAS PREVISÍVEISTambém não concordo com o discurso de M. Ferreira Leite contra estes investimentos públicos.
Há compromissos irreversíveis. Por exemplo, o TGV para Madrid (via Badajoz - que não é ideal para nós mas que a Espanha pretende para compensar as regiões de Extremadura e Andaluzia, cuja linha está já em construção). Mais o terminal de cruzeiros de Lisboa: outra necessidade, especialmente se a zona de Alcântara fica exclusiva para um milhão de contentores (com isso é que não concordo, mas é o preço que estamos a todos a pagar por ter acreditado em Xocrates - o homem que não vive sem rupturas drásticas!). E apesar de algumas das nossas auto-estradas não terem ainda gerado tráfego suficiente, faz falta uma segunda AE para o Algarve, com um ramal de desvio para Beja.
NOVA ORDEM ECONÓMICA E SOCIAL Por outro lado, tudo aponta para uma nova ordem económica global; com um menor desperdício de energia (incluindo voos comerciais e de lazer, significando à partida maior racionalização das viagens e turismo); combustíveis à volta de 100 dólares o barril; maior regulação sobre bancos, seguros e fundos de pensão; proibição de mais investimentos em produtos financeiros tóxicos; mais equilibrada distribuição da riqueza produzida; e salários mais ajustados nos BRIC e nos PIGS (temos que assumir que, com a Itália, Espanha e Grécia, constituímos a "outra Europa com vastas potencialidades" - por outro lado não me importo da sigla PIGS, pois, desde 1947, oiço os ingleses chamarem-nos "Pork and Beans" - é o nosso fado, e entre PIGS e BRICs (= "tijolos" , fazendo lembrar o pessoal das obras) - o demónio que escolha! Mas a feijoada também vai continuar a fazer parte da mesa portuguesa!
Portanto, espera-se um novo conjunto de normas que possa blindar os mercados financeiros contra fraudes e especulações, associado a uma nova ordem económica com uma forte vertente social.
SÃO PRECISOS NOVOS ESTUDOSO que todos evitam, por razões óbvias! Mas compete às consultoras internacionais e nacionais recomendar aos governos da União Europeia e aos grandes grupos multinacionais de bens de consumo, para fazerem novos estudos previsionais sobre as mudanças que vamos ter que enfrentar (e que julgo serem positivas). Entre Agosto de 2007 e Dezembro de 2008, a situação mudou 180 graus. Por isso são indispensáveis novos estudos ou a actualização dos anteriores, sobre:
(1) - as necessidades calendarizadas de aeroportos, terminais, aviões da nova geração, frequência de voos;
(2) - idem para portos, navios de cruzeiros, a expansão (?) da frota mercante e de novas escalas (Portimão, por exemplo);
(3) - comboios de alta e média velocidade para pax e carga (como podem países pequenos suportar duas ou três redes ferroviárias diferentes: para alta velocidade, mais combóios suburbanos, e linhas e ramais de carga (aliás o sistema que vigorou no século XX até aos anos 60/70). Hoje, parece que apostar no CF só beneficia os grandes empreiteiros de obras públicas e os fabricantes de equipamentos feorroviários, motores, sinalização e centrais de comando operacional do tráfego; por isso, torna-se necessário comprovar ou desmentir esta ideia;
(4) - redes de auto-estradas e estradas complementares , quando se pretende reduzir bastante a emissão de Co2 para a atmosfera e ainda não há combustíveis amigos do Ambiente. Portugal já tem a maior rede europeia de AE! Comvém ainda estudar a futura distribuição de iniciativas de lazer e serviços ao longo das grandes redes rodoviárias europeias, até aqui algo anárquicas;
(5) - valorização dos actuais produtos turísticos (há largos anos que a principal inovação tem sido a construção de spas nos hotéis e estalagens) e qual o papel futuro do turismo nas várias comunidades (consoante os rendimentos, grupos etários, religião, e hábitos), ao longo das décadas 2010-2050 (ou pelo menos nos próximos 25 anos?); e
(6) - a evolução previsível nos próximos 25 anos e o aproveitamento do tempo livre e férias, nos 27 países da União Europeia em confronto com os destinos turísticos concorrentes nas: Américas (Sul, Central e do Norte - os EUA em 2008 vão repetir o 1º lugar no ranking dos destinos mais movimentados); Extremo Oriente, Pacífico e Austrália; Médio Oriente (nas margens do Mediterrâneo e do Mar Vermelho-Golfo de Adem), Norte de África, África Austral, África Ocidental e África Oriental (esta actualmente minada pela instabilidade na Somália, Iémene, Quénia e Zimbabue).
EUROPA: NÃO INVISTA EM ELEFANTES BRANCOSEstou seguro que o aeroporto de Alcochete deverá ser construído e inaugurado por fases, exactamente tendo em atenção os novos estudos previsionais sobre a evolução da aviação comercial, a capacidade dos corredores de tráfego e a distribuição dos hubs intercontinentais europeus - cujo ranking Top5 actual é: 1 - Londres/Heathrow; 2 - Frankfurt; 3 - Paris/Roissy; 4 - Madrid/Barajas ou Amsterdão/Schiphol; 5 - Roma ou Milão, Gatwick, Munique, e Copenhaga.
Outro factor negativo para aprofundar a crise no turismo internacional deve-se aos recentes atentados em Bombaim/Mumbai. Vai levar uns largos meses a esquecer os 180 mortos e 300 feridos. E a agitação prolongada na Tailândia é outro factor negativo, assim como o Médio Oriente (de Israel ao Iraque) continua a ser um foco de instabilidade. Enquanto as Caraíbas têm sido afectadas por um número invulgar de furacões, tal como o Sul do Brasil até ao Rio de Janeiro, pelas cheias.
Há logo quem diga que estas ocorrências até são boas para o Turismo em Portugal! Eu nunca fui por esses caminhos perigosos! Diria mesmo: pouco éticos! Mas alguns responsáveis do nosso Turismo têm, por vezes, destas falhas imperdoáveis! Ontem em NYC e Londres, depois em Madrid. Hoje em Bombaim amanhã ... sabe-se lá? Nunca se brinca com coisas tão sérias!
O que eu quero dizer, no fim disto, é que faltam estudos. Faltam estratégias! Faltam ideias!
2009: ANO PARA REDESCOBRIR PORTUGAL Por exemplo: as agências de viagens com o TP deviam fazer já uma campanha a nível interno e externo, subordinada ao tema: 2009 o ano para redescobrir Portugal. Com programas e promoções atraentes. Mas não é isso que acaba de ser anunciado em Macau pelo presidente do TP. É mais do mesmo: WC of Europe! Com as mesmas figuras! Algumas até desconhecidas entre a maioria dos portugueses!
Para as AV quanto mais longas e prolongadas fora de Portugal, forem as viagens melhor! E a internet também é uma tentação irresistível, desde que haja ainda dinheiro! Particularmente para a geração Toshiba e Nokia!
O sector precisa ainda de ser compartimentado em empresas especializadas em Turismo Rceptivo, Turismo Doméstico e Turismo Emissor.
No Turismo doméstico, as companhias aéreas podiam ajudar mais com voos low-cost em conta do Porto para o Algarve e para a Madeira e Açores. As tarifas baixaram mas mesmo assim é mais barato viajar para Espanha, Londres, até para Berlim.
NOVOS HÁBITOS PREJUDICAM DEMOGRAFIAO meu neto (26 anos) e a namorada foram ontem para Berlim na easyjet, por tuta e meia. Está certo. são jovens. Mas eu casei aos 26 anos e tornei-me independente. Eles ainda vivem separados em casa dos pais. O que ganham é para gastar em viagens e no MBA no Insead!
Há aqui matéria para se estudar também o futuro do turismo, da demografia e da economia associada! Qual a viabilidade de uma sociedade que prolonga o casamento (ou união de facto) e a constituição de família?
Desde o início do Verão que deixaram de haver voos charter para a Brasil. Os operadores já não podiam suportar os custos dos voos independentes. Ainda fizeram um acordo entre os três grandes, para a partilha de lugares em cada voo. Uma medida sensata mas mesmo assim não deu!
Acabaram por fazer acordos com a TAP para allotments de lugares em cada voo. Mas até quando vai as principais rotas da TAP serem para o Brasil?
E houve quem ficasse a perder: as companhias lusas de voos charter, inclusivamente uma que a TAP vendeu.
A Euro-Atlantic em 2005 operava regularmente para o Brasil (a antiga Varig até tinha um ou dois aviões da Euro-Atlantic fretados para fazer as rotas de turismo de Portugal para o Nordeste do Brasil, antes da TAP ocupar o seu lugar). Mas esta companhia acaba de adquirir mais um avião de longo curso, a utilizar para outros destinos!
Oxalá o mercado se expanda e chegue para todos sobreviverem.
CONCLUSÃOProcuro transmitir aos meus amigos leitores algumas preocupações, juntamente com alguma eventuais saídas para se enfrentar melhor a crise! Meter a cabeça na areia é que não!
SEM ESTUDOS, SEM NOVAS NORMAS DE FINANCIAMENTO, CRÉDITO E NEGÓCIOS, SEM NOVAS PREOCUPAÇÕES SOCIAIS, e SEM SENSIBILIZAÇÃO PARA OS EFEITOS DA RESISTÊNCIA DAS NOVAS GERAÇÕES À INDEPENDÊNCIA E À CONSTITUIÇÃO DE FAMÍLIA, FICAMOS REFÉNS DA ACTUAL CRISE GLOBAL. A PRIMEIRA DO SÉCULO XXI.
Mas uma coisa é certa:
NOTHING CANNOT STOP TOURISM! Labels: TURISMO E A CRISE GLOBAL
posted by humberto salvador ferreira #
11:56 AM 