Divulgar Sagres. Bem-vindos ao melhor surf, pesca, mergulho, ciclo-turismo, e às praias vicentinas. Comentar a actualidade. Debater Ambiente, cruzeiros, aviação, excursões, hospitalidade, eno-gastronomia, desportos, cultura, eventos, formação e conhecimento. Aberto a contributos e críticas.
MIRA DISTRIBUIÇÃO DE SERVIÇOS DE TURISMO:
EURO DIRECTIVA BOLKESTEIN SOBRE LIBERALIZAÇÃO DE SERVIÇOSComissão e Parlamento Europeu instalam o FarOeste na Organização,Programação, Operação, Comercialização e Distribuição do TurismoHUMBERTO FERREIRA
O excesso de regularização e de regulamentos, directivas, decretos e portarias ... dá-se sempre mau resultado ...
À esclarecida atenção de José Manuel Barroso:
Lembro que a directiva europeia Bolkstein é o vale-tudo ... à conta (errada) da defesa do consumidor e da livre concorrência.
Pois abre a porta à concorrência selvagem, ao intrusismo, à falsificação de programas, ao favorecimento do pior profissionalismo, ao desrespeito dos direitos de autoria dos programas, e é um convite às falcatruas de agências de viagens fictícias que actuam na net e conseguem ludibriar clientes com preços mais baratos ... anunciados na net ou nas montras.
Mas, por vezes, os consumidores, que a Comissão Europeia diz sempre defender com unhas, garras, e todas as directivas possíveis e inimagináveis, acabam por ficar sem dinheiro e sem o serviço ... afinal comprado virtualmente.
EXPERIÊNCIA AMARGA - Eu, em jovem, fui director de um clube de vela, em Lisboa. O presidente era um conhecido médico (Dr. Damas Mora) e o vice-presidente era um sócio lá do bairro (que foi popularmente eleito). Este organizava excursões sempre que havia regatas noutras zonas, desde o Sado e Cascais ao Algarve. Uma bela madrugada fomos todos, às 6H00 da manhã, para sair na excursão e ... o autocarro não apareceu ... nem o vice-presidente ... que ficou com o dinheiro dos consócios e fugiu não sei para onde! Assim, me parece que os "amigos do alheio" de todo o globo que se dedicam a vender viagens e excursões ilegais, ficaram ultra-satisfeitos com a directiva Bolkestein, pois o PARLAMENTO EUROPEU, passados 50 anos desta minha experiência, veio protegê-los com a chancela de Estugarda e o beneplácito dos comissários de Bruxelas.
POR OUTRAS PALAVRAS - os milhões de internautas que agora também compram serviços soltos de turismo pela net ... ficam ainda mais desprotegidos, pois nem serão os ilustres parlamentares nem os comissários europeus (alguns dos quais vamos conhecendo ...) que os vão depois ressarcir dos prejuízos desta liberalização.
Pois, aos chico-espertos do empreendedorismo global, basta recolherem um programa de uma agência de viagens, e anunciarem na net o voo pela companhia tal custa tanto, o hotel tal custa tanto, a excursão tal custa tanto, o serviço de acompanhamento do guia local custa tanto, e dá cá o dinheiro à cabeça ... Na certeza de haver algumas centenas senão milhares de internautas (também "super-expertos") a morder o isco.
Fica depois a dúvida, se à chegada ao destino, está tudo reservado, pré-pago, e pronto para eles e elas gozarem a viagem, as férias, a pausa, o fim de semana, ou ... a mim fica-me também
a dúvida se esses novos e promissores empreendedores do turismo ... podem, ou não, também vender um cruzeiro, um congresso, ou um incentivo? Ou se pelo contrário, como já em 2009 aconteceu a um número de internautas portugueses, ficam para sempre ... à espera de embarcar no avião ou no navio, de dormir no hotel, de participar na excursão ou de contar com a assistência e o serviço do guia "contratado" ...?
OITO OU OITENTA - Antigamente para se abrir uma agência de viagens era preciso ter um capital mínimo de 20 mil contos, que depois foi naturalmente actualizado, e depositar uma caução, junto da ex-Direcção Geral de Turismo, para salvaguardar um eventual compromisso não assumido nos termos do contrato da viagem ou programa organizado.
Agora, qualquer pessoa pode abrir um quiosque de viagens, ou pode, de uma taberna, vender e fazer negócio com elementos soltos para uma viagem, férias, ou uma excursão! E se prejudicar alguém, o sujeito prejudicado que se vá queixar ao Tribunal ... na Indochina ou na Somália!E em Portugal, quais são as autoridades competentes para fiscalizar os intrusos e o instrusismo no turismo global? A ASAE? A GNR? A PSP? Não descsanaram enquanto não extinguiram o quadro dos inspectores da DGT! Entretanto, os nossos incólumes ministros podem continuar a brincar com a boa-fé dos cidadãos?
TERÁ VALIDO A PENA ELEGER DEPUTADOS EUROPEUS TÃO INTELIGENTES?
E QUEM OS ESCOLHEU? OS CHEFES DOS PARTIDOS!
NOTÍCIA QUE ORIGINOU O MEU APONTAMENTO SUPRA:
Dúvidas sobre Bolkestein persistem apesar de agências deterem exclusividade dos pacotes27 de Abril de 2010 às 11:08:23 por Fátima Valente - PubliturisOnline A
transposição da directiva europeia sobre a liberalização de serviços não traz alterações ao “dynamic packaging”, mantendo-se a exclusividade da venda dos pacotes combinados pelas agências.
Mas as agências continuam preocupadas com
a possível entrada no mercado de “intrusos” que possam disfarçar os pacotes como serviços soltos, já que um é a soma dos outros.
Recorde-se que com a entrada em vigor da directiva Bolkestein,
deixa de ser necessário ser licenciada como agência de viagens para vender produtos turísticos, mas desde que sejam serviços soltos e não pacotes.
Estas mesmas dúvidas foram expressas num congresso realizado em Madrid, pelo director geral de Turismo da Comunidade de Madrid, Antonio Nieto, citado pela Hosteltur: “
Se bem que as agências mantêm a exclusividade nas viagens combinadas, se um prestador de serviços que não seja agência oferecer os chamados “pacotes dinâmicos” com base na soma de serviços soltos estará incorrendo em intrusismo”. E neste caso, o assunto estará sujeito à inspecção das autoridades, sendo susceptível de denúncia.
Labels: OPORTUNIDADES DO TURISMO
O melhor mix mundial em gastronomia e emoções
Humberto Ferreira
Publicado no semanário de Turismo PUBLITURIS em 12 de Março de 2010,
na página/rúbrica TURISCÓPIO
O Turismo é o ramo mais transversal da nossa economia. Engloba transportes, hospitalidade, operações integradas de viagens, visitas, excursões, cruzeiros, em lazer, férias, congressos, incentivos, eventos, cultura, desporto, programas sociais e formação.
Vi com agrado,
no Prós e Contras de 1 de Março, o Turismo surgir com força num debate sobre
Novas Relações Laborais, pela voz do consultor sueco Jack Soifer, a dizer alto e bom som que temos o melhor mix do mundo... com gastronomia e variedade de destinos, emoções e preços. Propõe este perito estrangeiro, desenvolver 90 nichos (identificados em livro da sua autoria). A 26 Fev., o prof. Ernâni Lopes também apresentou o seu livro
A Constelação do Turismo na Economia Portuguesa, versão actualizada do anterior estudo:
Reiventando o Turismo em Portugal para o Século XXI, divulgado na BTL - Janeiro 2006 – em que propõe 95 medidas para desenvolver a competitividade do Turismo no 1º quartel do séc. XXI, com 15 linhas orientação: para a marca Portugal, estruturas e estratégias, mercados e produtos, identificando a oferta face à concorrência; como estimular a procura, qualificar activos estratégicos, a cadeia de valor, canais de distribuição, factores de inovação e monitorização de resultados, e observatório da concorrência. Profundidade e ambição q.b.!
Não li o livro de Soifer, mas tanto os seus 90 nichos como as 95 medidas de Ernâni Lopes são dois tratados de turismo. que os estudiosos vão seguir, sabe-se lá quando? Eu, já havia escrito outro texto, mas nos últimos dias tenho lido e aprendido tanto, que mudei o rumo e aqui vão mais alguns contributos para a melhoria gradual do Turismo. talvez a actividade com maior potencial de exportação (a angariação de turistas estrangeiros corresponde à venda crescente ao exterior de produtos e bens made in Portugal). Estes contributos são, como sempre, baseados na minha experiência de 55 anos de trabalho no turismo. Nas vertantes da
navegação (cruzeiros e linhas marítimas);
turismo emissor (operador Multitur 1966-72),
turismo receptivo (Pinto Basto Turismo 1955-1974),
ensino técnico e de gestores(nos cursos para guias intérpretes, técnicos de viagens e gestores de organização e empresas de turismo, no ISLA - Instituto Superior de Línguas e Administração, em Lisboa, entre 1966 e 1998 -, assim como na Apavt e Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante e Agências de Viagens);
jornalista, especializado em Turismo, Transportes e Promoção (redactor, chefe de redacção e redactor principal do Publituris, Publituris International, Equipotel, etc. entre 1969 e 2010) e colaborador, redactor, editor, administrador e director no Século, Capital, Tempo, Tarde e Correio da Manhã; e
consultor de projectos de investimento e promoção internacional (Horwath Consulting, Turismo Belga, Aer Lingus, etc). Uma longa e aliciante carreira.
ADIVINHAR O SONHO DO CLIENTE – Vender Turismo é satisfazer o sonho dos viajantes. A intervenção de Ernâni Lopes foi resumida pela imprensa como
o maior desafio aos empresários e ao TP para compreender os desejos do cliente no séc XXI. É básico! Quem não prevê a evolução junto da oferta da concorrência e na procura externa e interna, deve mudar de ramo.
O apelo à subida da cadeia de valor, à especialização nos serviços e recursos, e à consolidação, diria que, mais do que um apelo, é hoje a meta dos que resistem com perseverança nesta complexa mas aliciante odisseia.
INVENTAR O QUE FUNCIONA DESDE 1887? OU QUERER SUBSTITUIR O AVIÃO PELO TGV? - convém relembrar, quanto a novos e vultuosos investimentos, que Portugal está ligado a Paris e à Europa ... mas por ar, Sud-Express (desde 1887 à actualidade) e auto-estrada. Amanhã poderá estar também por MAR! O MAR foi o maior trunfo da história de Portugal e poderá ser, no futuro, se o governo e o povo souber investir bem em projectos viáveis ... de transportes de mercadorias e passageiros, de pesca, de investigação científica (desde a energia das ondas ao estudo de algas e outras fontes de riqueza subaquática).
SE PORTUGAL É MARCA, TEMOS QUE COMPETIR COM MAIS DE 150 PAÍSES . Pelo menos, pois atenção: Portugal não é marca! Sem maior criatividade. teremos de concorrer com mais de 150 países filiados na UNWTO, fora os estados federados nos EUA, Brasil, Rússia, Índia, etc. O turismo foi sempre global! E CADA PAÍS TEM NOME. UNS SÃO MAIS CONHECIDOS QUE OUTROS E PORTUGAL, LAMENTO, CONTINUA ENTRE OS MENOS CONHECIDOS. Experimente perguntar a um cidadão de qualquer país europeu sem ser na França ou Espanha, se sabe onde fica Portugal? Em 2010? Muitos, ainda não! Por isso se diz que Portugal é o maior segredo europeu! Mas de tão mal guardado!
SÓLIDO AMPLEXO – No evento da Culturgest, Faria de Oliveira, ex-ministro do Comércio e Turismo e actual CEO da CGD, caracterizou bem o sector (há governos a teimar inferiorizá-lo), dizendo que
o Turismo é uma ampla janela de inovação, investimento, construção e introdução de equipamentos, criação de emprego e de qualificação de recursos, e de atracção de capitais estrangeiros. Só estas vantagens bastariam para qualquer governo apoiar fortemente o Turismo! Mas o lóbi anti-turismo continua com muita força. Enquanto o Turismo,da forma como funciona e está organizado, não consegue atrair mais aliados fortes, capazes de neutralizar os que se opõem ao seu desenvolvimento qualitativo.
MAIS OFERTA POR PALPITE - Se o nosso parque hoteleiro não deixou de crescer nas últimas décadas, quase sempre copiando modelos ultrapassados, em 2010 está prevista a abertura de mais 29 hotéis. Serão mais do mesmo, com serviços, pessoal, e padrão de acolhimento impessoal?
Os hóspedes, hoje, já nem conhecem o DG, são atendidos por quadros pouco mais que inexperientes. As novidades são comuns à maioria das unidades novas e reconvertidas (todos copiam todos, sem criatividade). Ou seja, a "promoção" da piscina interior e cabeleireiro a "spa"; as salas para reuniões e programas de animação externa. e, de resto, um ambiente de templo triste, de reflexão interior. É evidente que há excepções!
A consolidação e franchising na hotelaria pouco cresceu. Levei anos a escrever:
como podem os directores ver os hóspedes sair para as refeições nos restaurantes da esquina? Desculpam-se com os erros da lei. Pergunto? Ainda não vivemos em democracia? Haverá agora novos ditadores a impôr leis contrárias às práticas do sector?
LUSO MIX – E Gilberto Jordan, focou que
Portugal cresceu apenas 0,4% entre 2000 e 2007, enquanto a Turquia atingiu mais 17,5%.
Ora é caso para perguntar: e o que fizeram os hoteleiros, de novo e irresistível, para acompanhar a Turquia e outros?
E ainda não sabem que este ano a Grécia está assinalada como um destino de risco e tumultos sociais? Qual a estratégia?
Será que as presenças nas feiras bastam? Sem campanhas permanentes, pelo menos na web, para divulgar, cada mês, os nossos eventos e motivações sazonais, a quem quiser passar férias ou pausas tranquilas junto ao mar, no campo, ou nas cidades, vilas ou aldeias mais típicas da Europa?
O nosso trunfo é a diversidade, o Luso-Mix!. Esqueçam o word of mouth! Invistam!
NOVA IMAGEM DOS STANDS TP – Esta mudança, inaugurada em Berlin, foi uma boa medida. Uma imagem mais moderna, colorida e leve, que vai ser apresentada em 21 feiras, com mais espaço para as empresas que apostam em cada mercado.
Já a opção comercial
sob a promoção “Perfectly Priced” em produtos entre as gamas de 6 estrelas e low-cost não faz sentido. É meter o Rossio na Betesga. Cada segmento exige um adequado conceito próprio.
Pode-se vender De Luxe e low cost ...mas separados! CLUSTERS – O Turismo proporciona uma montra incomparável para a promoção paralela da nossa moda, desporto, cultura, saúde e bem-estar (spas, termas, e eco-resorts), vinhos de mesa e licorosos, gastronomia (
faltando instituir o primeiro almoço, mais saladas, e projectar os sabores da alta grelha lusa, assim como as esplanadas e apoios de praia), fruta, cortiça, cavalos, cerâmica, pedras ornamentais e outros bens de origem lusa.
A
cozinha de autor é um meio de aplicar mais-valias à oferta regional.
Por tantas vantagens, aposte-se, então, nas sinergias destes factores, através da
formalização de clusters associados e parcerias inter-regionais. Afaste-se a ameaça da baixa de ovelhas na Estrela, que põe em causa o queijo da serra. E muitas outras.
Modere-se a rivalidade regional. Há operadores
a exigir a associação do Ribatejo, por causa da extinção da RT do Ribatejo. Em vez de Lisboa e Vale do Tejo (com cheias no Inverno),
chamem Area Metropolitana de Lisboa e Ribatejo.
Promovam-se mais concursos e grandes-prémios dos melhores e mais populares destinos, vinhos, hotéis, termas, golfes, marinas, praias, etc. para comprovar que Stoifer tem razão:
Portugal é o melhor mix mundial em gastronomia e variedade da oferta turística! Mas premeiem-se também os melhores empresários, dirigentes e profissionais em cada região, em cada ano! Com iniciativas credíveis! Não basta dizer que somos os melhores. É preciso prová-lo todos os dias!Em primeiro lugar aos clientes, e depois a toda a gente que interessa!
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